Notas Internacionais (13)

02 de Julho de 2011

A “bomba” Coulibaly

Sigo o Mundial Sub-17 e, de repente, parece que meia Europa está hipnotizada por um miúdo, 16 anos e seis meses, da Costa do Marfim (joga na equipa Primavera do Siena) que faz golos atrás de golos (9 em 4 jogos!). É Souleymane Coulibaly. Faz sentido toda esta loucura? Vendo os seus jogos, é, sem dúvida, um caso para parar, olhar e…pensar. Já nem entro na questão dos portentos físicos africanos que tanto impressionam nestas idades sobretudo a correr ao lado de sul-americanos ou europeus mais franzinos. Falo só no seu jogo.
Coulibaly é um 9 puro, um definidor que joga a ponta-de-lança entalado entre defesas. Tem um primeiro toque fortíssimo, mas depois, quando volta a apanhar a bola, nota-se que o ideal era ter resolvido tudo antes. Não tem a mesma destreza de controlo. Ou seja, nota-se o talento, mas projectar logo um futuro mágico só após algumas jogadas saídas essencialmente da natureza física do seu jogo, é subverter o normal lapidar de um diamante em bruto que precisa claramente de muito trabalho técnico-táctico.

A posição de Lucas

O Brasil ataca a Copa América com Neymar como grande estrela, mas vendo bem o novo futebol brasileiro, o jogador que, nos próximos anos, se cumprir os passos correctos de evolução, pode verdadeiramente fazer mexer o seu jogo no plano da criação e organização é outro: Lucas Moura, 18 anos! do São Paulo.
Em ambos os onzes (clube e selecção) existe, porém, bastante confusão em torno da sua melhor posição. No São Paulo, com Carpegiani, que gosta de três volantes trás e um nº9 fixo, acaba muitas vezes quase como segundo avançado ou mesmo avançado puro em 4x4x2. É uma posição demasiado avançada para ele. Quando encontra espaço define bem e faz golos, mas não tem, por natureza, a liberdade e o espaço para, desde zonas entre-linhas do meio-campo ofensivo, pegar no jogo e correr alguns metros com a bola. É esse o melhor Lucas, o que começa por ser médio e, se a jogada pedir, acaba como avançado. Não o que começa a avançado, logo obrigado a ter de definir, e só depois, quando o jogo deixa, recua para médio e coloca ordem no processo, organizando a movimentação desde o princípio. Em suma: o segredo não é onde joga, mas onde…começa a jogar!

Na selecção, aparece encurralado num 4x2x3x1 que mete Ramirez e Lucas Leiva como volantes e espera o regresso de Ganso. Veremos se, na Copa América, encontra melhor espaço táctico para o seu talento.