NOTAS INTERNACIONAIS 14/15 (28)

01 de Abril de 2015

NOTAS INTERNACIONAIS 14 15 (28)

1. TREINADOR: VIKTOR SKRYPNIK: A DESCOBRIR

O seu nome pode ser estranho para a maioria. Ele é o treinador do Werder Bremen desde que em Novembro foi demitido Robin Dutt e a equipa cair para o último lugar. Viktor Skrypnik, o primeiro treinador ucraniano na Bundesliga, estava a treinar a equipa B do Bremen onde trabalha (passando por todos escalões de formação) desde que deixou jogar no clube após o titulo de 2004 (onde foi um bom defesa). A sua aposta causou, na altura, apreensão. Hoje, é evidente: Skrypnik transformou a equipa e redimensionou jogadores então adormecidos.

Um deles, do qual confesso devoção desde jovem promessa, é o ítalo-argentino Di Santo, avançado-centro móvel que ganhou robustez muscular e continua a fintar e rematar, mas perdeu muito do encanto inicial (exigiram-lhe demais no Chelsea ou até Wigan). A melhoria do seu jogo atual tem a ver com a forma mais solta como joga, sem perder de referência o lugar 9.

Skrypnik não agiu só, porém, no lado emocional das chicotadas. Di Santo faz agora dupla com a maior promessa em termos de nº9 do futebol alemão, Selke, potenciado pela chegada de Skrypnik, enquanto Junozovic ganhou outra velocidade vindo desde a ala esquerda (enquanto o experiente Fritz se mantem na direita, onde explode desde trás o lateral checo Selassie). Bartels, na segunda linha do meio-campo, joga agora num nível num antes atingido. Na defesa, a contratação de Vestegaard deu maior poder defesa ao eixo central ao lado de Prodl.

Um belo 4x4x2 que colocou agora a equipa fora da luta pela descida e a olhar para lugares europeus. É o impacto-Skrypnik na Bundesliga.

2. GOLO, COMO GRITO NUMA DISCUSSÃO

NOTAS INTERNACIONAIS 14 15 (28)A importância da identidade e fidelização a um estilo. Duas perspectivas da mesma realidade da construção (e expressão) duma equipa de futebol que parecem inseparáveis. Em certa medida, são. Cada jogo tem, no entanto, uma espécie de “espaço oco” que se esconde entre aquelas duas concepções paralelas.

Ente a identidade e o estilo, há estratégia e quase pedaços de outro tipo de jogo que pode, na altura certa, ser fundamental aplicar. Nada disso trai o estilo, porque ele nunca se perde e podes voltar a ele sempre que quiseres.

É como alguém emocionalmente calmo a certa altura da vida, numa relação, gritar com a pessoa que ama. E, pouco depois, abraça-a, volta a acariciá-la e tudo fica bem. Como dantes.

Esta última descrição pode parecer demasiado romântica e até despropositada numa análise futebolística. Pode ser, mas foi o que senti vendo como a certo ponto do Barcelona-Real Madrid, o jogo apoiado catalão baixou o bloco frente ao crescer de “peito feito” do Real, para depois, de repente, meter um passe longo na frente (eis o “jogo direto” como o “grito na relação”). O resto, é a recepção orientada divinal de Luiz Suarez e o remate para o golo.

Os puristas falam numa traição ao estilo. Talvez. Nunca vi que numa discussão alguém ter todo o lado da razão. No futebol, também não. O que vi, foi como entre identidade e estilo está a percepção exata de como ganhar um jogo quando tal parece muito difícil.

P.S. Nada disto legitima o grito como habito de resolver discussões nas relações. Tudo isto legitima um bom passe em profundidade com recepção e remate para ganhar jogos.

3. ITÁLIA/ NATURALIZAÇÕES: NÃO LHE CHAMEM É SELEÇÕES NACIONAIS DE FUTEBOL

A Itália tem uma tradição histórica de jogadores naturalizados desde os títulos dos anos 30, muitos envolvidos emigrações familiares típica da época, e prolongou-se depois em outras eras, até ao presente, embora sem a mesma origem ou analise.

Não me parece critério debater o valor dos jogadores porque tirando o caso de Camoranesi (campeão do mundo em 2006) todos os outros (como Amauri, Palleta, ou, entre outros, até Osvaldo) são “cometas” que passam pela seleção sem nenhuma lógica de construção do edifício do futebol italiano que atravessa hoje (em termos estruturais) uma crise de valores que, a nível de seleção, só o seu poder sem cedências a um estilo muito competitivo (apesar da criticas de conservadorismo) o permite manter numa dimensão de top.

Na convocatória contra a Bulgária, Conte promove mais dois desses "cometas naturalizados”: Éder e Vazquez. (Éder é avançado-centro brasileiro peitudo, com técnica e remate fácil, como os italianos sempre gostaram; Vazquez é um médio-ofensivo argentino que pode ser um “trequartista” que falta hoje ao Calcio, um canhoto tecnicista embora lento). Ou seja, são dois jogadores interessantes, mas nenhum deles é um daqueles craques que faça questionar uma identidade de escola/pátria como tão facilmente o futebol italiano faz.

NOTAS INTERNACIONAIS 14 15 (28)O debate está aberto em Itália, as opiniões dividem-se, mas argumentos a favor só extra-futebol (a globalização e os outros países também fazem).

É tão verdade como soar a falso o futebol duma seleção, de qualquer pais, que jogue após optar por esta forma de estar em campo. Desde os ver alinhados na altura do hino até a correrem com o escudo do país ao peito.

Uma seleção não é, nunca será, nada disto. Pode ser tudo legal e com grandes profissionais. Não lhe chamem é seleções nacionais de futebol. Chamem-lhes outra coisa.