Notas Internacionais (3)

17 de Dezembro de 2010

Notas Internacionais (3)

Monterrey: Rei do México

Pouco seguido na Europa, o campeonato mexicano continua a ser um dos mais emocionantes do mundo, com ambientes fantásticos e boas equipas, técnica e espírito guerreiro. A Final do Torneio Abertura 2010 voltou a confirmar isso. Monterrey e Santos Laguna frente a frente. Ganhou o Monterrey (2-3 e 3-0) com o ponta-de-lança chileno El Chupete Suazo endiabrado no segundo jogo com dois golos fantásticos. O sistema que domina as canchas mexicanas é o 3x5x2, utilizado por ambas as equipas no jogo decisivo. Três centrais fortes, mas rápidos para ir dobrar na faixa, pois os laterais praticamente não defendem, são alas puros. No Santos, uma dupla explosiva, com Benitez (equatoriano) e Quintero (colombiano), escudado por Arce, talvez o melhor médio-defensivo do futebol mexicano tal a quantidade de bolas que recupera e entrega ao ataque.

O Monterrey joga de uma forma algo diferente. A base é o 3x5x2 mas como tem um ala, o argentino Nery Cardozo, dando já outra dinâmica a atacar pelas faixas, prendendo mais o lateral do seu lado. O patrão da equipa é o experiente equatoriano Ayovi, de 31 anos, grande visão de jogo na ocupação dos espaços e rápido a levar a bola para o ataque, onde estão Suazo e De Nigris, avançado mais forte e fixo, que aguenta com três centrais sozinho.

Os «4» de Groningen

Notas Internacionais (3)Ligada a bússola do bom futebol para um relvado holandês, eis a equipa do Groningen. Está em 3º lugar. No onze, quatro rostos, São os fantásticos «4» de Groningen: Sparv, Andersson, Tadic e Matavz. Vejamos:

Sparv, finlandês, de 23 anos, é um trinco-pivot muito alto (1,94m.). Marca posicionalmente muito bem, tacticamente disciplinado, alarga a passada e chega primeiro para o corte. Depois joga simples no passe, mas sem receio em subir no terreno (embora seja lento) distribuindo jogo mais à frente.

Andersson, sueco, 25, é o médio mais ofensivo. Move-se na zona entre-linhas nas costas do ponta-de-lança, mas também busca jogo na direita. Organiza bem no último passe, assume a bola nessa zona e tenta sempre combinar com os alas que façam movimentos interiores, em trocas posicionais.

Tadic, sérvio, com 22, é um ala canhoto. Joga sobre a esquerda, também flecte bem no campo. Não é driblador mas entra no espaço em antecipação, criando perigo. É mais do que um mero jogador de faixa tal a visão de jogo, marcando muito bem as bolas paradas/livres laterais.

Matvz, é o mais novo dos quatro, apenas com 21 anos, é esloveno, e é ponta-de-lança. 10 golos em 16 jogos. Forte e ágil, grande facilidade de remate. Também sabe jogar de costas, em apoio aos outros avançados, movendo-se bem em espaços curtos. Um grande nº9 goleador ainda escondido da elite.

O “Enigma” Podolski

Notas Internacionais (3)Um jogador para debater. Podolski: porque brilha tanto na selecção e apaga-se no clube? Não é uma situação nova. Quando surgiu, no FC Koln, era uma fábrica de golos. Não confirmaria essa vocação no Bayern (de 2007 a 2009, só 15 golos). Entretanto, continuava a brilhar e a marcar na selecção (42 golos em 83 jogos). Voltou ao FC Koln, mas, com a equipa em crise, a dicotomia selecção-clube acentuou-se na carreira de Podolski (agora com 25 anos).

Explicações? É difícil, até porque a posição onde joga é a mesma, sobre a ala-esquerda (arrancado desde esse espaço) onde se fixou após deixar a zona mais central do 9 clássico. A principal diferença que noto da selecção para o clube, é a maior rapidez de jogo do colectivo na selecção (naquele onze de Klinsmann em 2006 todos voavam) o que puxa por uma das suas maiores qualidades, a velocidade. Nos clubes, tem de segurar/tabelar mais, o seu futebol banaliza-se e os seus princípios de jogo ficam menos objectivos a ir para a área. Um simples factor que muda tudo: a velocidade de jogo.