Notas internacionais (9)

28 de Outubro de 2014

MIHAJLOVIC UM TREINADOR A TIRAR UM “TITULAR”

Cada treinador tem o seu estilo e não penso que deva ter sempre de justificar uma substituição (ao próprio jogador ou ao publico) mas quando o faz sente-se que só lhe fica bem. No estilo e na abertura do pensamento. Por isso, retive a forma como Mihajlovic, treinador da Sampdoria, antes de terminar uma entrevista pós-jogo (com o Génova) pediu para dizer só mais uma coisa. Era para dar uma palavra a Gastaldello, o capitão da equipa que tirara do onze inicial para meter o jovem Romagnoli, elogiando então a forma com grande classe como ele tinha aceite e reagido à decisão, que Mihajlovic sabia como ex-jogador não ser fácil de receber.

A Sampdoria é hoje das equipas que melhor está a jogar em Itália. Como na época passada foi das que esteve pior em fases da época, caindo na tabela. Nada disto, porém, tem a ver com resultados porque o treinador é o mesmo. Tem a ver com um factor essencial de criar equipas (com “E” grande). A empatia treinador-jogadores e o poder de comunicação entrando na cabeça deles. Perceber que é um mito dizer que “eu trato todos por igual”, quando numa equipa (plantel/balneário) convivem personalidades todas diferentes que tem de ser tratadas de forma... diferente na comunicação.

Falar hoje da Samp de Mihajlovic é falar muito deste “futebol invisível” feito de diálogos antes da boa rolar. Fica para um próximo dia a descrição do seu modelo/sistema e devoção individual que, no onze, tenho hoje por Gabbiadini, um ala-avançado que está a jogar mesmo muito!). Afinal, tudo isto é “comunicar futebol”.

MAZZARRI TREINADOR A COMUNICAR NERVOSISMO

Notas internacionais (9)A sua forma de montar as equipas (sistema 3x4x1x2 preferencial ) e a raça que lhes transmite, é incontestável. Mazzarri é dos melhores treinadores da geração atual que marca o Calcio.

Treinar o Inter é uma aventura difícil para qualquer um (Mancini ganhou em alturas especificas. Mourinho ganhou porque é um monstro). Mazzarri mantem no banco do Inter o mesmo estilo que tinha no banco do Nápoles.

Não pode ser. Não se trata de pretender que ele mude o seu estilo/identidade, mas sim que tal postura impulsiva, sempre a andar de um lado para o outro, passos acelerados, gestos, gritos para o campo, estão na antítese do que a equipa tantas vezes precisa.

Ou seja, a ideia que tenho é que, apesar da indicações tácticas até serem pertinentes, Mazzarri está permanentemente a “comunicar” nervosismo para dentro do relvado, para os jogadores. Quando estes olham para o banco ou o ouvem chama-los, veem sempre um homem na berma de um ataque de nervos que vive o jogo intensamente mas que, nesse processo, sinto que perde poder de comunicação com a equipa.

O Inter é uma equipa que vive de “ideias diferentes” a meio-campo que faz parecer dois grandes jogadores quase em conflito: Kovacic-Hernanes.

Em suma: raramente comunicam. Hernanes é um belo jogador, que, com qualidade em tudo que faz, causa impressão por não ser constante na sua... rotatividade. Kovacic é uma babilónia de estilos dentro de si próprio. Mas ambos são grandes jogadores.

O problema? Em vez de jogarem juntos, estão apenas ao mesmo tempo... juntos em campo. É muito diferente.

OLHANDO O PSG DE BLANC

Notas internacionais (9)Cavani não pode ser um jogador igual aos outros

Com Ibrahimovic lesionado, ele pôde reencontrar o protagonismo na equipa que, sinto vendo-o o jogar, tanto o perturba não ter no atual onze do PSG. É o misterioso mundo futebolístico-emocional de Cavani.

Não se trata dum protagonismo egocêntrico. Trata-se duma busca de protagonismo táctico-técnico. Uma coisa é, como fez quase sempre na carreira, começar a jogando descaído para uma ala e depois, com liberdade, surgir na zona do nº9. Outra é jogar descaído sobre essa mesma faixa e ficar taticamente demasiado condicionado a ela nos movimentos. O seu grande futebol desvanece-se. E Cavani torna-se um jogador igual aos outros.

O seu movimento clássico, que explodiu em Nápoles, não entra pelas tradicionais diagonais, mas sim pela forma como joga por trás dos laterais e depois aparece à sua frente, entre eles e os central de cada lado onde joga.

Contra o APOEL (com Lucas e Pastore pelas alas) o 4x3x3 do PSG de Blanc foi mais posicional e Cavani acabou por fazer o golo como um nº9 à moda antiga, na forma como lutou entre os centrais pela bola rematando para o golo quase parecendo para isso ter cavado um túnel na relva.

Outra questão é perceber se este PSG (modelo, sistema, lugar onde joga e, até, conjugação de egos o balneário) é hoje o clube ideal para Cavani? Não acho. Futebol e personalidade. mas sobretudo por questões essencialmente táctico-futebolísticas.

Faz poucas vezes as coisas que faz melhor porque os princípios de jogo não as contemplam como base dos movimentos ofensivos. Fica muito dependente do resto da equipa (sobretudo dos jogadores que jogam peto dele).

Eu sei que o jogador deve partir sempre das suas obrigações tácticas no coletivo, mas Cavani parece hoje um jogador demasiado ordenado dentro da equipa. Necessita de ter a sua insolência agressiva com bola para se realizar.

DESTAQUE: * Este PSG (modelo, sistema e até egos no balneário) é hoje o clube ideal para Cavani, futebol e personalidade? Não acho. Mas, apesar dos egos, sobretudo pela posição onde joga, por questões táctico-futebolísticas.