Copa América 2016: O “10” Banega Convida Di María para Dançar

07 de Junho de 2016

COPA-AMERICA-2016

Argentina vs Chile: Os chilenos perderam com uma Argentina pouco inspirada. O legado de Sampaoli parece ter sido desprezado.

Por David Guimarães

Sem pressão no início de construção (aproximações de Higuaín desgarradas do colectivo), o Chile (4x4x2) apostava numa saída rápida, com Mena a procurar ligação directa com Vargas, esticando o jogo na frente. O lado esquerdo chileno tinha Beausejour destacado para condicionar e fechar a ala, precavendo as subidas de Mena (participativo na fase atacante).

Vídal a recuperar muitas bolas e a virar de forma rápida o centro de jogo, foi a figura mais esclarecida nos primeiros minutos. Em momento defensivo, apresentou bem juntas duas linhas de “4”, com os dois avançados a pressionarem forte os centrais opostos, condicionando eficazmente o primeiro momento de organização contrário. Alexis, móvel e irrequieto nas deambulações pedindo bola, fez deslocalizar Mascherano, criando instabilidade na ocupação da zona central do miolo argentino.

A organização ofensiva chilena é muito diferente, quando comparada com os tempos de Sampaoli. O passe curto a partir de trás perdeu preponderância, a distância entre sectores aumentou, o jogo posicional pausado deu origem a uma predilecção pelo ataque-rápido. Neste contexto, destaque para o critério e qualidade de passe, saída em condução e fuga da zona de pressão de Díaz (defensivamente também muito bem posicionado, ajudando o sector recuado). É descortinável também uma aposta pela marcação individual nas bolas-paradas, algo permissiva, não conseguindo inviabilizar que a selecção azul-celeste ganhasse algumas no ar, geradoras de perigo.

Diaz Chile

A Argentina dispôs-se num 4x2x3x1, montando um duplo pivot com Fernández e Mascherano, para soltar Banega como organizador, ladeado pelas trocas posicionais de Gaitán (diagonais interiores) e Di María (largura e profundidade), ficando Higuaín na frente.

Início de partida com pouca mobilidade e desprezo pela circulação, com preferência por um jogo em transições-rápidas (tendo o craque do PSG preponderância nesses momentos), procurando agressivamente os últimos 30 metros, logo após recuperação de bola. Banega e Higuaín sem conseguir receber em “zona morta” e Fernández  não se deu ao jogo para a ligação entre sectores ( estas foram as razões para a menor posse de bola).

Os momentos de transição-defensiva são algo sofríveis, devido à demora excessiva na reorganização de posicionamentos.

pizzi chile

No segundo tempo foi visível a maior mobilidade e agressividade de Fernández e Banega, que recuperou mais alto, marcou o segundo golo e assistiu também para o primeiro tento, de Di María (que apareceu mais vezes em zona central, onde decide melhor). A partir desse espaço fez também o passe para Banega facturar (um bailado perfeito na zona “10”).

A melhoria nos momentos de transição defensiva, recuperando rápido os posicionamentos, explicam uma segunda parte de muito melhor qualidade.

Para responder ao resultado, o seleccionador chileno Pizzi ainda tentou retomar alguns dos princípios de jogo do seu antecessor, mas o fantástico futebol que venceu a Copa no ano passado, talvez já não seja resgatável. Ainda reduziu por Fuenzalida, mas, com este nível, o Chile dificilmente irá tocar na cobiçada Taça do Centenário.