O Adversário Antes do… Jogo

19 de Outubro de 2017

A preocupação com uma marcação individual nunca é a melhor razão para um treinador mexer na equipa e mudar com isso a sua estrutura. Foi, porém, essa a motivação que Jesus teve quando na segunda parte (com o jogo atado num empate) mudou o desenho da equipa e meteu Palhinha para (tirando um extremo, Gelson) passar a fazer uma espécie de 4x14x1 (com Palhinha a 6 e Battaglia a subir para o lado de William com Acuña-Bruno Fernandes nas alas).

Imaginei que a intenção fosse para segurar melhor a bola a meio-campo e até em zonas mais subidas do terreno tentando impedir a forte investida final da Juve. A intenção foi, entanto, de perseguição individual numa zona recuada de Palhinha a Dybala. É tacticamente redutor.

Não seria por isso que o Sporting perderia o jogo mas nessa altura ficou a ideia que, nestes jogos contra adversários reconhecidamente mais fortes, esta inversão de pensamento na abordagem do jogo (em vez da prioridade de ganhar, atacando, a prioridade de não o perder, fechando os perigos) confunde mais a equipa do que lhe dá uma força-extra táctica.

Funciona enquanto segura o resultado. Torna-se inócua quando tem de ir atrás dele, sobretudo num jogo onde faltou profundidade ofensiva, sobretudo no centro (onde Doumbia daria muito mais nesse sentido do que Dost, que jogou para ganhar no ar a primeira bola metida longa). Assim, a equipa ficou “curta” em campo. O seu jogo, sem elasticidade táctica em posse, também.