O BRASIL PRECISA PENSAR O SEU FUTEBOL

30 de Julho de 2014

Nem Gigghia, o homem mito “charrúa” que marcara o golo do Uruguai em 50 imaginaria que um dia, o seu fantasma posto em sossego, seria incomodado, na sua imponência histórica, por uma invasão de alemães que, friamente, lhe roubariam o protagonismo único na página dos maiores dramas do futebol mundial. Mas aconteceu mesmo. Numa moldura de 7-1. O castelo assombrado brasileiro de Mundiais passa a ter, agora, novo habitantes. Todos eles pisando forte. Onze alemães amigos de Gigghia como se o conhecessem desde sempre. Imagino-os a beber umas cervejas até à eternidade pelo fim da tarde revendo os jogos pela TV.

Quatro dias depois do maior terramoto da sua história, só o facto de ter de voltar a entrar em campo é drama suficiente para esta seleção brasileira de Scolari e Parreira. É, porém, um pesadelo que devia ter o efeito de acordar as consciências criticas brasileiras mais evoluídas para perceber as razões do seu futebol ter retrocedido tanto nos últimos anos.

A questão é profunda. Cruza as metodologias de treinos (e aqui entra o debate sobre a qualidade dos treinadores brasileiros atuais), um campeonato enorme e desenquadrado dos níveis competitivos exigidos (onde grandes clubes acham normal contratar pontas-de-lança com mais de 100 quilos) ou a falta de modelos de jogo e entendimento do que faz hoje a organização das grandes equipas do mundo no futebol moderno. Eis alguns pontos.

Antigamente, o Brasil importava grandes avançados do futebol-arte. Hoje a Europa recebe sobretudo defesas-centrais e médios defensivos. O coração do melhor futebol brasileiro mudou. A “dungazização” do seu jogo (nome recordando Dunga, o homem que ergueu a Copa-94 que enganou o futebol brasileiro sobre o caminho a tomar) foram seguidos por vários técnicos. Só o aparecimento dos Ronaldinhos, o “fenómeno” e o “dentuça”, ou Romário, conseguiram iludir a situação.

Quando de repente fica tudo exposto à mais dura realidade, é impossível não fugir ao choque, sobretudo quando do outro lado estava, feita de gelo e aço, um onze que nunca mexe um nervo da face, a Alemanha, uma máquina de futebol.

TERCEIRO LUGAR

É um jogo fácil de jogar. Mas o mais difícil de começar a jogar. É o jogo do terceiro e quarto lugar do Mundial. Duas seleções amarguradas e com vontade de fugir do relvado após a frustração da derrota das meias finais e, claro, do sonho da grande Final. A história, no entanto, tem os seus registos para cumprir e, para nós portugueses, este jogo, afinal até é importante. Gostamos sempre de dizer que Portugal foi terceiro no mundial 66. Não que foi às meias-finais (e perdeu). Portanto, sempre servirá para alguma coisa este jogo.
Neste caso particular, para a Holanda, nova oportunidade para passear o estilo contranatura que exibiu neste mundial. Em vez do futebol apoiado, a profundidade. Van Gaal irá rodar a equipa, mas o modelo que quase o levava ao sucesso, mesmo traindo as raízes do belo jogo laranja, continuarão mas... apenas por mais um jogo. Ou seja, não acredito é que possa servir de referencia para o futuro do futebol holandês. Nem sequer a questão dos sistemas de três centrais, que surgiram por outras seleções neste Mundial. Mas isso será tema para uma análise mais longa num dos próximos dias.

O BRASIL PRECISA PENSAR TODO O SEU FUTEBOL

Nem Gigghia, o homem mito “charrúa” que marcara o golo do Uruguai em 50 imaginaria que um dia, o seu fantasma posto em sossego, seria incomodado, na sua imponência histórica, por uma invasão de alemães que, friamente, lhe roubariam o protagonismo único na página dos maiores dramas do futebol mundial. Mas aconteceu mesmo. Numa moldura de 7-1. O castelo assombrado brasileiro de Mundiais passa a ter, agora, novo habitantes. Todos eles pisando forte. Onze alemães amigos de Gigghia como se o conhecessem desde sempre. Imagino-os a beber umas cervejas até à eternidade pelo fim da tarde revendo os jogos pela TV.

Quatro dias depois do maior terramoto da sua história, só o facto de ter de voltar a entrar em campo é drama suficiente para esta seleção brasileira de Scolari e Parreira. É, porém, um pesadelo que devia ter o efeito de acordar as consciências criticas brasileiras mais evoluídas para perceber as razões do seu futebol ter retrocedido tanto nos últimos anos.

A questão é profunda. Cruza as metodologias de treinos (e aqui entra o debate sobre a qualidade dos treinadores brasileiros atuais), um campeonato enorme e desenquadrado dos níveis competitivos exigidos (onde grandes clubes acham normal contratar pontas-de-lança com mais de 100 quilos) ou a falta de modelos de jogo e entendimento do que faz hoje a organização das grandes equipas do mundo no futebol moderno. Eis alguns pontos.
Antigamente, o Brasil importava grandes avançados do futebol-arte. Hoje a Europa recebe sobretudo defesas-centrais e médios defensivos. O coração do melhor futebol brasileiro mudou.

A “dungazização” do seu jogo (nome recordando Dunga, o homem que ergueu a Copa-94 que enganou o futebol brasileiro sobre o caminho a tomar) foram seguidos por vários técnicos. Só o aparecimento dos Ronaldinhos, o “fenómeno” e o “dentuça”, ou Romário, conseguiram iludir a situação.

Quando de repente fica tudo exposto à mais dura realidade, é impossível não fugir ao choque, sobretudo quando do outro lado estava, feita de gelo e aço, um onze que nunca mexe um nervo da face, a Alemanha, uma máquina de futebol.

TERCEIRO LUGAR

É um jogo fácil de jogar. Mas o mais difícil de começar a jogar. É o jogo do terceiro e quarto lugar do Mundial. Duas seleções amarguradas e com vontade de fugir do relvado após a frustração da derrota das meias finais e, claro, do sonho da grande Final. A história, no entanto, tem os seus registos para cumprir e, para nós portugueses, este jogo, afinal até é importante. Gostamos sempre de dizer que Portugal foi terceiro no mundial 66. Não que foi às meias-finais (e perdeu). Portanto, sempre servirá para alguma coisa este jogo.
Neste caso particular, para a Holanda, nova oportunidade para passear o estilo contranatura que exibiu neste mundial. Em vez do futebol apoiado, a profundidade. Van Gaal irá rodar a equipa, mas o modelo que quase o levava ao sucesso, mesmo traindo as raízes do belo jogo laranja, continuarão mas... apenas por mais um jogo. Ou seja, não acredito é que possa servir de referencia para o futuro do futebol holandês. Nem sequer a questão dos sistemas de três centrais, que surgiram por outras seleções neste Mundial. Mas isso será tema para uma análise mais longa num dos próximos dias.