O “camaleão” e quantos pulmões têm uma equipa

03 de Fevereiro de 2016

Um dos aspectos tácticos mais interessantes para a segunda volta será a evolução das ideias de Júlio Velasquez no Belenenses. Ou melhor, várias ideias. Pelo menos, no plano dos sistemas (do 3x5x2 ao 4x3x3, em três dias contra Rio Ave, passando pelo 4x4x2 e suas variantes).
Mesmo com essas mudanças, porém, existiram princípios que se mantiveram dum sistema para o outro (o que é natural, pois os sistemas não têm vida por si próprios). A subida dos laterais é um ponto comum com os médios-interiores a funcionarem como “assistentes do passe” para as diagonais dos laterais. Com isso, ficou a sensação que neste(s) sistema(s) esvaziam-se os extremos. A ocupação dos flancos é feita com jogadores a... aparecer.
Serão muitas ideias para meter no curso da época. Não está em causa o seu sentido (faltou, talvez, jogo interior mais profundo) mas sim os jogadores as assimilarem nesta fase da época até formar um bloco consistentemente tão competitivo como os jogos exigem. O desafio está lançado.

Quantos pulmões deve ter um onze?academica

Marcou num canto estudado rente à relva, um jogador improvável desde trás e outros na área a bloquearem a saída. Essa vantagem permitiu à Académica de Gouveia assentar o seu jogo em Alvalade, mas na hora da verdade (em que tinha de cerrar dentes no processo defensivo) sentiu a leveza de pressão do seu meio-campo. Sem Obiora, essa questão fica mais evidente. Um factor de expressão táctica para saber ganhar “segundas bolas” e quando sair a pressionar (fazer “encurtamentos” á construção adversária nos últimos 30 metros) indispensável a uma equipa “pequena” na hora de aguentar o resultado contra um “grande”.

Ao longo do jogo, a equipa passou por quatro (até cinco) sistemas diferentes. Do 4x2x3x1 inicial, 4x4x2 (quando Gonçalo se juntou a Rafael Lopes), 4x3x3 (com só um pivot, após o 2-2 saiu o ala Marinho), 5x4x1 (com três centrais) e, por fim, quase um 5x4x0 quando Aderlan foi expulso e baixou todas as linhas.
Meter um terceiro central, prevendo o jogo direto final adversário, falhou quando faltou o lateral expulso e o improvisado falhou um corte-cabeceamento fácil por dentro, mas a quebra táctico-física está mesmo no meio-campo, quando Fernando Alexandre perde rotação (e Nuno Piloto já desapareceu). Leandro e Bouadla são versões com bola.
Com a defesa e o ataque “completos” da forma possível, é no meio que a equipa nunca pode perder o fôlego, com e sobretudo sem bola. É ai que tem de crescer. Sem isso, dificilmente ganha (ou aguenta) um jogo... tacticamente.