O caso Kinkin Fonseca + O Benfica na Naval

13 de Dezembro de 2006

O caso Kinkin Fonseca + O Benfica na Naval

Chegou anunciado com um grande ponta-de-lança. Não sei se Fernando Santos conhecia bem o jogador e se a contratação foi a seu conselho, mas 13 jornadas volvidas (no qual só foi titular em 3) parece claro que não.

Na Naval, sem Miccoli e Nuno Gomes, foi obrigado a apostar no mexicano.

Teve contra si o fraco jogo realizado por toda a equipa, mas, em todos os momentos, Fonseca deu a ideia de um jogador triste, muito distante do revelado quando jogava no México, clube e selecção, onde o tratam quase como um super-herói. Em termos de movimentação, está desligado, como é natural (pois joga pouco) dos movimentos colectivos da equipa. Lutou, mas, com a equipa incapaz de construir nas suas costas era impossível ter algo que finalizar. Assim, Fonseca, fez aquilo que costuma fazer nestas situações, foge da área, recua e tenta descobrir jogo e bola noutros terrenos. Lutou muito, recuperou bolas, sofreu faltas, fez passes, mas só rematou uma vez. O 4x3x3 de Fernando Santos exigia, no entanto, outra movimentação. Queria um homem de área, mas Fonseca, quase um corpo estranho na mecanização, inverteu os papeis e jogou no seu estilo mais típico. Toda esta análise cruzada, características do jogador/ideia do treinador, remete-nos para uma questão mais abrangente.

Quando se contrata um jogador, o treinador tem de o conhecer bem para saber como o encaixar na equipa. Caso contrário, é uma aposta sem consistência desde o inicio. Para o jogador e para o treinador.

COMO JOGOU O BENFICA CONTRA A NAVAL: Dois sistemas, o mesmo bloqueio táctico

O caso Kinkin Fonseca + O Benfica na NavalOs primeiros 20 minutos do Benfica contra a Naval foram um verdadeiro quebra-cabeças táctico. Começou no habitual 4x4x2 em losango, com Fonseca e P.Jorge na frente e Simão no vértice ofensivo. Sem conseguir alargar jogo, nem lhe dar profundidade, mudou, logo aos 15 minutos, para o 4x3x3 (versão 4x1x2x3), com Fonseca ponta-de-lança, passando P.Jorge para a direita e Simão para a esquerda, permutando depois. No meio, Karagounis e Katsouranis, tentavam gerir as transições. Ora por falta de classe individual, ora por falta da dinâmica certa para dar vida a esta nova opção, nunca conseguiu criar um fio de jogo consistente, acabando por, naturalmente, perder mais dois pontos na corrida para o titulo.