O CLUBE DO CORAÇÃO DE CABO-VERDE

19 de Outubro de 2014

O CLUBE DO CORAÇÃO DE CABO-VERDE

O CLUBE DO CORAÇÃO DE CABO-VERDE

A SELECÇÃO NACIONAL JÁ É O CLUBE DE CORAÇÃO DE TODOS OS CABO-VERDIANOS

Cabo-Verde. 2014.

Dois jogos com Moçambique e o apuramento. Todos os amantes da bola já começam a acreditar a sério na nossa selecção se alguma dúvida houvesse.

Sempre fui um defensor acérrimo desde a primeira hora que todos os jogadores que desde que sejam cabo-verdianos e legitimados para defenderem as cores nacionais, serem chamados a equipa de todos nós. Se recuar um pouco atrás, na minha qualidade de analista, um dos meus maiores críticos era o meu saudoso e falecido pai, porque eu defendia que os jogadores não residentes seriam os primeiros a terem essa soberana oportunidade de representarem Cabo Verde nas competições internacionais, pois, eram eles que tinham outro sistema de treinamento outra experiência e outra classe, enfim em todos os aspectos devido a falta de um trabalho de base aqui em Cabo Verde, era melhores e mereciam essa chamada, e a brincar, já lá vão vinte e dois anos, depois do falecimento desse meu ente querido.

O CLUBE DO CORAÇÃO DE CABO-VERDEA equipa de todos nós, começou o seu percurso há uns anos a esta parte e é de elementar justiça enumerar esses grandes obreiros, os técnicos Alexandre Alhinho que subiu muitos degraus no ranking da FIFA, Oscar Duarte conquista da Taça Amílcar Cabral, João de Deus, Lúcio Antunes, pois, esses técnicos apostaram forte em jogadores que actuam nos clubes estrangeiros, até chegar ao técnico Rui Águas o actual selecionador cabo-verdiano, que encontrou uma equipa formada e com aspirações, e, que naturalmente, vai tentar introduzir o seu cunho pessoal o que é legítimo.

Mas temos que ter bem presente que hoje a selecção de Cabo Verde é muito respeitada e conceituada no seio da comunidade futebolística internacional, porque os nossos jogadores actuam hoje, alguns, em equipas de renome internacional.

É de elementar justiça relembrar, que no ano que fomos a CAN em 2013, houve várias equipas que participaram nas competições europeias, portanto, tinham nas suas fileiras jogadores cabo-verdianos e que fazem parte dos eleitos de Rui Águas, casos concretos de Ryan, Heldon, Nivaldo, Stopira, Zé Luís entre outros.

O TALENTO DO FUTEBOLISTA CRIOULO

O CLUBE DO CORAÇÃO DE CABO-VERDEEstou em crer que nunca ninguém duvidou da potencialidade do futebolista crioulo, mas talvez faltava na altura o trabalho de base que hoje vem dando os seus frutos, principalmente, a nível de observações constantes de valores que grassam por este mundo fora. Temos selecções mais jovens ( sub-17, sub-19 ) onde podemos encontrar jogadores com grandes
potencialidades, e, podem funcionar como viveiros da selecção principal.

De igual modo, hoje o jogador cabo-verdiano, é visto com outros olhos, mas nunca esquecendo que outrora tivemos grande valores, mas que optaram por representar Portugal, caso concreto para não ter de ferir susceptibilidades esquecendo de algum, o nosso malogrado Carlos Alhinho que deixou o mundo dos vivos de uma forma abrupta e prematura.

Hoje o próprio jogador cabo-verdiano, principalmente, depois da nossa presença na CAN de 2013 na África do Sul, acredita mais em si e joga com o objectivo primário no seu clube para representar as cores nacionais. Aliás, a posição que ocupamos actualmente nos ranking da CAF e da FIFA têm contribuído para que o jogador cabo-verdiano tenha orgulho pessoal em defender as cores nacionais.

Também esse nome de Tubarões Azuis que se convencionou chamar a selecção nacional caiu bem no seio dos desportistas cabo-verdianos aqui no país quer na diáspora, porque todos sabem que somos um arquipélago rodeado de mar e consequentemente de tubarões.

Ninguém tem dúvidas que a Federação Cabo-Verdiana de Futebol, vai fazendo o seu trabalho de casa e os frutos são visíveis, apesar do tal percalço que aconteceu na altura das eliminatórias do mundial no Brasil com a exclusão da equipa nacional, erro administrativo, o que mexeu muito com o ego dos cabo-verdianos, pois, pela carreira em termos desportivos convém lembrar que vencemos na Tunísia por duas bolas a zero, e, depois perdemos surpreendentemente na secretaria.

O povo cabo-verdiano tem demonstrado um grande espírito de reconhecimento e prova inequívoca disso são manifestações de carinho e de conforto que os jogadores têm sentido nos jogos disputados em casa e não só. A empatia do público para com a selecção já se tornou arrepiante e comovente, obrigando o Rui Águas a dizer que paixão para a selecção nacional é como se um clube de coração se tratasse. Antigamente diga em abono da verdade, a nossa selecção participava só para fazer número, mas hoje participa para ganhar e tem criado vários problemas aos adversários que a partida são considerados favoritos. Nem mesmo os mais optimistas acreditavam que Cabo Verde chegava em Tunes e calasse um estádio literalmente cheio.

Se continuarmos com a mesma política de recrutamento para os jogadores potencialmente convocáveis, vamos ter sem sombra de dúvidas um futuro risonho e assumir a nível da lusofonia um papel de habituais apurados nas competições internacionais, particularmente na prova continental Copa África das Nações.

Como não é proibido sonhar, estou em crer que por este andar e pela performance agora demonstrada pelo jogador cabo-verdiano que um dia estaremos num Campeonato do Mundo. Difícil sim. Muito difícil mas não impossível, para que, um dia este sonho de todos os cabo-verdianos se torne realidade.

O FUTURO DA SELECÇÃO E DE TODO O FUTEBOL DE CABO-VERDE

O CLUBE DO CORAÇÃO DE CABO-VERDEPortanto, o futebol de Cabo Verde está no bom caminho e se continuarmos com a mesma humildade e com o mesmo querer vamos ter um futuro risonho, pois, todos os treinadores do GRUPO F assumem e sem rodeios e sem bluff, que o combinado nacional cabo-verdiano é a melhor equipa do grupo.

Motivo de orgulho para qualquer cabo-verdiano, pois, há uns anos a esta parte, todos pensavam precisamente ao contrário, que o Cabo Verde era o bombo da festa. Mas com a nossa entrada de novo na CAN por direito próprio depois dessa brilhante vitória frente ao Moçambique e a duas jornadas do fim das eliminatórias para a CAN 2015 em Marrocos demos mais um salto qualitativo no ranking da CAF e da FIFA. E apesar de ambas as equipas conseguirem os nove pontos, Cabo Verde está melhor nesse mini campeonato, e, por isso, estamos orgulhosos nessa grande montra do futebol africano em Janeiro do próximo ano.

Se continuarmos a apostar forte como tem acontecido até aqui convocar os melhores jogadores para a selecção, sem compadrios e melhorarmos o figurino dos nossos campeonatos regionais e nacionais, para que, os jogadores residentes tenham as suas oportunidades depende apenas deles, estou em crer que esse tal leque de recrutamento será ainda maior e os nossos treinadores terão maiores probabilidades para se valorizarem, com as várias formações que são ministradas pelos organismos internacionais CAF e FIFA, tenho a certeza absoluta que os técnicos nacionais irão competir com os muitos estrangeiros que já manifestaram interesse em treinar a selecção nacional. Antigamente imaginava-se que um técnico estrangeiro teria ambições de treinar a selecção cabo-verdiana de futebol? Agora perguntem se hoje em dia não é um cargo apetecível? Isso acontece simplesmente, por causa do trabalho realizado até aqui.

Vou deixar aqui claro, tenham cuidado com essa nossa nova fornalha de jogadores cabo-verdianos, pois, o medo e receio acabaram-se, e querem elevar bem alto o nome de CABO VERDE.

O grande desafio de Cabo Verde é neste momento, será manter esse nível futebolístico, para que, o nosso campo de recrutamento de valores seja ainda maior e todos os jogadores nascidos em Cabo Verde ou filhos de cabo-verdianos que vivem no estrangeiro e que tenha qualidade futebolística suficiente, se sinta orgulho de representar as coras nacionais.

OS JOGADORES DO SONHO

O CLUBE DO CORAÇÃO DE CABO-VERDENinguém tem dúvidas que neste momento Cabo Verde tem um naipe de jogadores de elevada qualidade técnica.

Depois de Lúcio Antunes que foi treinar em Angola o novo seleccionador nacional Rui Águas não fugiu muito as escolhas do anterior técnico, fruto de evitar muitas mexidas e alterar por completo os princípios já estabelecidos e que tantas provas benéficas deram no passado recente.

Por exemplo tirando a saída do capitão Nando por vontade própria deixando as convocatórias ainda em grande forma, ficaram de fora nesses últimos jogos com Moçambique KAI e RYAN por lesão, tendo o técnico nacional recorrido a outras escolhas que resultaram em pleno devido ao espirito que vigora neste momento seio do combinado crioulo.

Vozinha- É o guarda-redes de elevada categoria e veio transmitir estabilidade aos seus colegas do sector e não, fruto da sua calma e serenidade fechou a sete chaves as redes nacionais.

Jeffrey- Foi uma agradável surpresa. Muito certinho a atacar, melhor a defender e deu maior profundidade ao futebol de Cabo Verde, porque para além de ter fechado o seu sector, deu um grande apoio ao Odair Fortes do lado direito. Uma boa aposta de Rui Águas, portanto, não vai ser muito fácil Carlitos recuperar o lugar que ele sempre se assumiu como titular, por direito próprio. Vê que ele tem noção do espaço que lhe foi atribuído e que escola holandesa o que lhe ajudou bastante. Uma exibição muito certinha.

GêGê- Quem o conhece como eu, dos tempos do seu Boavista da Praia, hoje esse jovem valor é um verdadeiro patrão do sector mais recuado e um parceiro fiel e leal quer ao KAI ou Varela. Parabéns ao Marítimo pela forma como contribuiu para valorização desse central cabo- verdiano.

Varela- Parceiro ideal de GêGê pelo seu sentido posicional e pela sua voluntariedade, anulando por completo os vários avançados que vi actuar estrangeiros aqui em Cabo Verde, que o diga Reginaldo avançado moçambicano.

Nivaldo- Um defesa extremo, melhor a atacar do que a defender mas uma peça fundamental da nossa selecção quando a equipa parte para o ataque. Desce muito bem pelo seu corredor e confia nos companheiros que lhe apoiam em caso de um possível contra-ataque do adversário.

Nuno Rocha- Outro valor seguro desta selecção, pois, a sua entrada no jogo contra o Zâmbia demonstrou que de facto, no seio desse combinado há valores que são opções válidas. Muito inteligente, bom sentido posicional, inteligente a jogar fruto de uma grande visão que ele tem do jogo globalmente, pois, para mim é um 8 nato. Outra aposta ganha pelo cliente luso.

Calú- Todos os técnicos no futebol moderno gostam de ter um jogador com essas características, pois, é um trabalhador incansável durante os noventa minutos. Sério, implacável e matar o jogo do adversário, sentido posicional notável, fazendo lembrar muito o William Carvalho, portanto, um 6 de elevada categoria e o tampão dos contra-ataques dos adversários.

Babanco- A jogar como o nº 10 a secção de Cabo Verde ganha um armador de jogo excelente, fruto da sua visão e classe em meter as bolas a 30 metros. O capitão perde muito quando joga nas zonas laterais e perde uma das suas virtudes e que é de servir muleta a ponta de lança, pois, Cabo Verde joga com um claro 4-3-3. Contra Moçambique aqui em Cabo Verde o pendor ofensivo que o técnico queria imprimir na dinâmica da equipa foi superiormente interpretado por Babanco.

Odair Fortes- Muito forte no jogo de um contra um e levou sempre a melhor a Miro e desgastou o lado esquerdo da equipa moçambicana, fazendo um bom jogo, principalmente, durante a primeira parte e largos da segunda, pois, participa activamente nos movimentos ofensivos e defensivos da equipa.

Djaninny- Há jogadores mal amados. Ele é um deles. Tem bons pés, cobre bem a bola e obriga os defesas centrais a ficarem lá atrás, mas desperdiça muitas oportunidades de golo e como sabemos a imagem de marca de um ponta de lança são os golos daí ser substituído na hora h, quando o público começou a assobiá-lo.

Zé Luís- Como os cabo-verdianos acompanham o campeonato português com muito entusiasmo e pela sua forma actual, e, sendo um dos bons pontas de lança neste momento do futebol português, a sua não entrada de início causou uma certa surpresa. Logo que ele se levantou do banco de suplentes notou-se a empatia que ele tem neste momento com os amantas de bola cá em Cabo Verde, pois, muito aplaudido, e com a sua entrada a frente de ataque ganhou outra dinâmica porque ele desmarca-se muito bem e conseguiu desmantelar a bem organizada defesa moçambicana superiormente comandada por Mexer. Os minutos que esteve em campo e pelo jogo realizado frente a Zâmbia que até marcou um grande golo, acredito salvo opinião contrária acho que ele merecia a titularidade, mas a respeitámos a opção do técnico da equipa cabo-verdiana.

Heldon- O abono de família da equipa, tem a estrelinha da sorte e entrou bem no jogo porque o público já chamava o seu nome havia algum tempo.

Quem o conhece sabe que ele tem andado um pouco triste, cabisbaixo talvez por causa da sua situação no Sporting Clube de Portugal. Mas Deus protege os bons filhos e o salense mais uma vez foi o herói da qualificação e ele provou que quer lutar para um lugar na equipa leonina apesar da forte concorrência com Nani como cabeça de cartaz e também ele perdeu a titularidade na equipa nacional, o que vem complicar mais o seu estado anímico e psicológico. Neste momento ele deve estar feliz, pois, aqui em Cabo Verde é um herói, pois, estamos qualificados para a CAN.

Kuka- A atravessar um bom momento de forma no Estoril, todos esperavam dele um bom jogo e fez, mas pareceu-me muito ansioso e perdendo muito em fintas desnecessárias, deixando as vezes a equipa muito balanceada no ataque e mais exposta para o contra-ataque da equipa adversária. Está mais adulto e a sua classe é indesmentível, pois, o conheço desde os tempos do Bairro e sabia que ele nasceu para ser jogadores de futebol.

Bom jogo e substituído na altura própria para as palmas.

Garry Rodrigues- Esteve muito bem no primeiro jogo com a Zâmbia, mas perdia também muitas bolas daí a opção de Rui Águas em colocar KUKA em campo, jogou pouco minutos, entrou para queimar alguns segundos.

Os outros jogadores que não saíram do banco, são opções, pois, esta equipa cabo-verdiana vale pelo seu todo. Mas Kevin se jogar Vozinha terá pela frente um concorrente de peso.

O SISTEMA TÁCTICO

Rui Águas continua a apostar em casa no seu 4-3-3, e, isso tem dado bons resultados, com Babanco ( 10 ) como o grande dinamizador do jogo do combinado crioulo, com Calú a ser o pronto socorro muito bem ladeado por Nuno Rocha, dando alguma liberdade aos laterais, principalmente, ao Nivaldo. A dupla GEGE e Varela ou KAI são intransponíveis e na frente as várias mudanças de flancos dos extremos têm confundido os adversários.

Cabo Verde está com uma boa selecção e pode fazer de novo figura na CAN, apesar de Moçambique não ter sido no jogo aqui em Cabo Verde um verdadeiro teste, pois, não rematou durante os noventa minutos uma bola a baliza de Vozinha que foi um mero espectador durante o tempo de jogo.

Desde Cabo-Verde, texto de Lulu Cardoso da Silva, jornalista cabo-verdiano19