O “cofre-forte” da táctica

30 de Janeiro de 2016

A equipa tem hoje uma proposta de jogo com maior respeito pela bola a construir, mas o pilar para a sobrevivência básica em campo ainda vem do seu mais rudimentar passado tático: o duplo-pivot Idris-Ruben Gabriel. Dois monstros á frente da defesa (seja qual for o sistema) guarda-costas tácticos do resto da equipa. Qualquer colega que perde a bola sabe que vai ter ainda atrás quem corrija o erro sem dilemas estéticos. Qualquer adversário que queira passar por essa linha recta para a baliza, sabe que vai chocar conta um muro e mesmo quando parece ter caminho livre é como fosse a passar e de repente lhe caísse um piano em cima da cabeça.
O Boavista de Sanchez tem uma ideia de jogo positiva com bola mas quando sentiu a leveza competitiva da sua ideia sem bola não hesitou em resgatar a dureza de posicionamento muscular-defensivo do anterior legado de Petit.
O aroma de “outro futebol” fica para os pés de Ruben Ribeiro que dá ao onze os melhores momentos de visão e invenção. O espanhol Martinez sabe jogar mas tem dificuldade em fazê-lo a partir da ala. É mais jogador de corredor central. Nesse sentido, Renato Santos, pela forma como alterna os dois espaços, pode funcionar melhor. Continuo a achar Zé Manuel fundamental no onze e Luisinho é um jogador de picos que só funciona a mudar de velocidade.
O onze, porem, combina bem todas estas sensibilidades. É, no entanto, no cofre-forte Idris-Ruben Gabriel que todos se escondem quando o jogo se complica. Tão táctico como... humano. Puro instinto de sobrevivência.