O contra-ataque é hoje a melhor forma de ganhar?

29 de Outubro de 2014

O contra-ataque é hoje a melhor forma de ganhar

Jogar bem não tem uma fórmula única mas um ponto pacífico nos debates futebolísticos é as equipas terem de ser um bloco dentro do campo. Isto é, nunca se partirem na ligação entre os diversos setores/linhas. Por isso, se vê tantas vezes os treinadores fazerem o gesto para os jogadores se aproximarem e ficarem mais juntos nessa noção de bloco.

Esse gesto surge, naturalmente, mais para defender ou com o resultado favorável tornar a equipa mais compacta, fazendo o campo mais pequeno possível.

Esta filosofia das equipas como bloco choca um pouco com a ideia que fica, em muitos jogos, do futebol nunca ter sido tanto de contra-ataque como hoje, entendido como a forma mais privilegiada de ganhar ou criar desequilíbrios, aproveitando os do adversário (entra aqui também, claro, o uso das transições rápidas).

Pensei muito nessa dicotomia entre equipa como bloco e contra-ataque para ganhar vendo como a Juventus lutava, sofria e perdia na Grécia contra o Olympiakos de Michel (uma equipa que com um treinador espanhol quer ser mais de toque mas que quando joga melhor é quando o jogo se torna mais combativo).

Cria alucinações táticas este tipo de jogos. Porque, de repente, vemos a melhor equipa ser a... pior equipa em campo, porque o jogo a levou por caminhos e até territórios de estilos que ela não domina (nem se reconhece). Teve mais de 60% de posse (68% na segunda parte) mas perdeu 160 vezes a bola nesses momentos, sobretudo a meio-campo e em lances divididos (e nesse ponto, os gregos ganharam 24 contra 15 da Juve). Está aqui, neste dado, o segredo, caixa negra, que explica o jogo (a sua lei, não a sua moral).

Nesse tipo de jogo, com o adversário a encurtar espaços e não fugindo ao choque (antes o promovendo) para ganhar a bola e lançar depois a transição e contra-ataque, o bloco (unido) quanto mais sobe mais pode ser apanhado com as costas desprotegidas. E leva com o o contra-ataque.

Esta ideia de transição rápida-contra ataque não é, porém, só uma estratégia preferencial para equipas ditas mais pequenas. Também pode ser das grandes. Como o Real provou na vitória na ultima Champions (e o próprio At. Madrid de Simeone, mas noutra variante, pois nesse caso descia muito o bloco, jogando mesmo em organização, em bloco baixo).

O contra-ataque é hoje a melhor forma de ganharA mesma ideia numa equipa que em ataque organizado tantas vezes me parece bloquear mas que em ataque rápido pura e simplesmente levanta voo. O Borussia Dortmund de Klopp. Contra o Galatasaray, em Istambul, onde as equipas turcas sobem demasiado a defesa (ultrapassando o limite da consciência defensiva tática defensiva) encontrou um paraíso para o seu jogo/ataque rápido e contra-ataque. E goleou em jogadas de velocidade pura, que acabavam na altura do remate ainda com três/quatro dos seus jogadores a correr como se o contra-ataque não acabasse mesmo quando a bola entrava na baliza. Um 4x2x3x1 que soltou Mkhitaryan, Reus, Ramos e Aubameyang num autêntico latifúndio de relvado de contra-ataque.

As ditas equipas de posse são, cada vez mais, uma ilusão no sentido tático bacteriologicamente puro. Viu-se até nos sete golos do Bayern de Guardiola em Roma. No final, Garcia, o técnico da Roma assumiu a culpa dizendo que “falhei a estratégia. Devíamos ter jogado mais fechados”.
Percebe-se o desabado, mas mais do que baixar o bloco e fechar espaços mais atrás, a grande chave tática que fecha ou abre os jogos está em limitar as hipóteses de transição rápida e contra-ataque ao adversário.

Quando se perde a bola os adversários não podem ter 30/40 metros para correr em liberdade.