O estranho mundo dos “nº9” que fazem golos sem ser destacados

29 de Janeiro de 2016

Regressou a Bundesliga e com as equipas bem distribuídas na tabela, acabo por, muitas vezes, nos jogos fixar mais o olhar em... jogadores

1. A falta de pontas-de-lança para a seleção continua a sentir-se na Alemanha, pelo que estranho que Alex Meyer, no Eintracht Frankfurt há 12 épocas, nunca tenha sido opção (só foi internacional sub-21). Não é um nº9 de classe mas marca sempre golos. No jeito estilístico muscular teutónico (1,92m) é um ponta-de-lança que parece vir de outro tempo. Amassa os defesas mas também sabe tratar a bola para ter técnica de remate. Já está com 33 anos e o tempo passa. Joga bem (neste Frankfurt beneficia da mobilidade em largura de longo alcance de Seferovic) e faz golos (hat-trick ao Wolfsburg) mas ninguém pensa nele nesse nível mais alto.

 

2. Quem, também, a nº9 me convence cada vez mais é o nigeriano Ujah, agora a marcar golos no Bremen (depois de fazer três épocas no FC Koln). Olho para ele e, salvo as proporções, acho que tem, no estilo e forma como ataca a bola para finalizar, “algo de Drogba”. Com Pizarro como segundo-avançado (inteligente a mover-se fazendo “arrastamentos”) Ujeh joga mais solto indo buscar os espaços para procurar a bola e rematar. Com 25 anos, gostava de o ver numa equpa mais forte.

modeste

3. Desconfio que será mesmo só questão de gosto pessoal tal a forma como este ponta-de-lança passa de clube em clube sem ser nunca muito valorizado. É o francês Modeste. Em todos, porém, acho que joga muito bem. Sabe posicionar-se entre a defesa para receber (em cunha ou largura) tem técnica sem habilidade e remate oportuno. No passado, o Bordeaux pouco lhe ligou, marcou golos no Bastia e está na Bundesliga há três épocas, fazendo golos e boas exibições no Hoffenheim e agora FC Koln.
Está com 27 anos. Acredito que ainda chegará o tempo de sentir que, afinal, tinha mesmo razão em gostar tanto de ter este nº9 numa equipa minha.