O Jogo Nunca é “Sintético”

16 de Outubro de 2017

Não foi bem uma revelação. Foi mais, jogando com as sensações, a “confirmação de uma revelação”. Diogo Dalot já não é uma promessa e, assim, esta certeza como lateral-direito de qualidade (craque de 18 anos) fez um belo cruzamento canhoto jogando a... lateral-esquerdo. A Taça também serve para estes exercícios de futebol em que as equipas grandes baralham as peças do puzzle e, ora fazendo rotatividade (como FC Porto e Benfica) em alguns lugares do onze-base, ora jogando com uma equipa totalmente diferente (como fez o Sporting) destapam outras faces possíveis do plantel.

Nesse sentido, criava expectativa os encaixes que, no Benfica, faria também outro lateral-direito, Douglas, e o lançar dum terceiro guarda-redes na época, o Svilar, aos 18 anos puxado para a baliza adulta encarnada. Não teve grande trabalho frente ao Olhanense (que apertou o mais que pode) mas, com a casca de ovo no alto da cabeça dos seus 1,89m. o belga mostrou o que se chama ter “pinta de guarda-redes”. Passa segurança emocional o olhar. Virá agora a missão de passar segurança operacional na execução.

Douglas é um lateral brasileiro que não engana no estilo que de subir a atacar. Falta perceber o que será sem bola, a defender, o momento do jogo que criou duvidas em Espanha (como os extremos de Olhão também levantaram). Seja como for, nunca seria uma boa ou má exibição frente ao Olhanense (no tal contexto de rotatividade, menor exigência do jogo e onze-base alterado) que se concluiria uma boa ou má opinião sobre ele. Qualquer delas seria sem consistência.

O Sporting mudou todo o onze mas não muda é Podence quando pega na bola e faz o que quer dela, em cima de relva, terra ou plástico (isto, é sintético). Toca a bola como se fosse um brinquedo e fez três cruzamentos em forma de passes de morte para três golos. Num deles, irrompeu Rafael Leão, um miúdo nº9 crescido que marcou de cabeça. Tem condições naturais, físicas e técnicas, para ser um grande avançado. Precisa, claro, de crescer (nos fundamentos de jogo, pois no tamanho já tem 1,88m.) e sem se deixar adormecer nos jogos (como ás vezes me dá a sensação, embora isso possa ser mesmo o estilo mais “pantera-cor-de-rosa disfarçada” dele) entrar a brilhar no futebol adulto (ainda também com 18 anos, idade júnior).

A vontade de brilhar de Gelson Dala impediu-o quase sempre de ver o resto da equipa ao lado dele. Procurou sempre uma grande jogada de cada vez que recebia a bola e isso acabou por o retirar do jogo. Não necessita disso para sabermos o que vale. Ele, porém, sentia essa necessidade para o mostrar.

Moral da história? O futebol nunca é sintético. Nunca se sintetiza numa jogada. Explana-se no jogo todo.