O Jogo para Além dos Penaltis

24 de Janeiro de 2018

Os penaltis decidem o resultado mas não contam todo um jogo em que longe de alguma equipa conseguir dominar ao ponto de o poder ganhar, teve num duelo que viveu muito de pressão contra pressão teve, na maior parte do tempo, o controlo do meio-campo portista dentro do corredor central.

 Os 90 minutos provaram como esta equipa do FC Porto consegue, em qualquer circunstância, impor-se em termos de capacidade de pressão e recuperação nesse espaço. Conseguir que o jogo fosse nesse sentido mais o que o onze portista queria mesmo tempo perdido Danilo tão cedo mostrou a consistência colectiva desse seu processo de jogo.

O Sporting sentiu dificuldades para sair dessas amarras. Metendo Battaglia para junto de William, tentando encher melhor essa zona intermediária de combate táctico, Jesus procurou resgatar o meio campo mas nunca o conseguiu porque nunca teve nesse corredor central o jogador que é o cérebro do onze, Bruno Fernandes, demasiado recuado na primeira parte e muito descaído   na direita na segunda.

Jogando mais em profundidade conseguiu, no entanto, equilibrar o jogo a partir de meio da segunda parte porque dessa forma fugiu aos espaços de pressão e recuperação no meio-campo em que o FC Porto estava mais forte. 

Saber usar melhor Rúben Ribeiro (que raramente teve bola no pé neste jogo) em conjugação com Bruno Fernandes na zona de criação na entrada dos últimos 30 metros é um desafio para Jesus.  

O tal "jogo amarrado" que Jesus previa traduziu-se num onze leonino equilibrado defensivamente mesmo por vezes com o bloco menos subido do que queria. Dessa forma aguentou bem o período mais difícil do jogo. Nunca esteve por cima em termos de construção ofensiva  mas conseguiu controlar a linha da bola e nesse sentido levou o jogo até ao fim seguro pelas suas linhas de cobertura. Sem a velocidade criativa de Gelson na frente, fez do jogo um exemplo de "realismo competitivo" frente a um FC Porto que foi obrigado a mudar o plano de posicionamentos logo no início.

Depois deste jogo, fica uma final para o Sporting jogar, atingida com a consciência da importância da estratégia neste jogos para travar adversários fortes, e uma certeza de personalidade e qualidade de jogo do FC Porto. 

Grande futebol tático em estado puro.