Copa América 2016: O Leque Mexicano

07 de Junho de 2016

 

México vs Uruguai: O México entrou a mandar no jogo, conseguindo aplicar o seu modelo e dominar os uruguaios.

Por David Guimarães

Um 3x5x2 em momento ofensivo, com o trio de centrais muito participativo no início de construção. Com Rafael Márquez a sair muito seguro, bola controlada e passe curto, Reyes (muita qualidade no passe longo) está incumbido das variações de sentido de jogo e Araujo, mais descaído sobre a direita, a comunicar bem com Layún, permitindo-lhe um posicionamento mais adiantado, alterando faixa/centro.

O meio campo apresenta dinâmicas muito versáteis, moldando-se com muita facilidade: Ora joga apoiado (circulação curta e pensada, com os elementos muito próximos), ora se distende repentinamente, através da projecção de Herrera (em rupturas pela zona central), com Guardado a dar profundidade sobre a esquerda e as trocas posicionais de Corona e Aquino (que alternavam no apoio ao avançado Chicharito). Foi com esse processo ofensivo em forma de leque (abre/fecha) que fizeram o único golo da primeira parte (logo aos quatro minutos): passe longo de Reyes, cruzamento tenso de Guardado e Herrera a entrar com tudo na área de cabeça (importunando Álvaro Pereira, que acaba por fazer um autogolo).

O treinador Juan Carlos Osório estabeleceu um relacionamento perfeito entre sectores. Também defensivamente se nota essa harmonia, com o triângulo intersectorial, Aquino, Layun e Araujo a fecharem de forma exímia o corredor direito (um exemplo concreto da entreajuda global).

alvaro pereira mexico 3 uruguai 1

O Uruguay entrou em bloco baixo, num 4x4x2 expectante, que deixou a construção mexicana respirar em zona recuada.

Álvaro Pereira teve muitas dificuldades em fechar dentro e chegou sempre tarde aos duelos aéreos. Aquino (driblador com rapidez incrível) fez dele o que quis.

A defesa nunca estabeleceu  ligação com os médios. Vecino (lento na recuperação, cometeu duas faltas fora de tempo que lhe valeram a expulsão no fim da primeira parte) e Arevalo Rios nunca conseguiram ter bola, sendo apenas Lodeiro, com movimentos esquerda/centro, o criador de algum perigo, combinando com Maxi e Cavani. O miolo nunca foi capaz de identificar uma zona de pressão, sendo facilmente batido pelo futebol a um/dois toques dos adversários.

 

Com 1-0 e em superioridade numérica, o México saiu relaxado para o intervalo, tal foi a capacidade evidenciada. No segundo tempo, saíram os criativos Aquino e Corona, para entrarem Lozano (extremo) e Duenas (trinco). Ao fazer descansar as suas principais peças e colocando um elemento defensivo, o treinador passou uma mensagem de gestão e abrandamento de ritmo, um convite ao crescimento do Uruguai.

Foi a dupla de centrais (colegas no Atlético de Madrid) a fazer a diferença. As dobras de Giménez em carrinho e as antecipações de Godín, roubando bolas em zona adiantada para depois sair em condução instigando o contragolpe, deram o mote para a discussão do resultado (foi mesmo o capitão que empatou o jogo com um golpe de cabeça).

O México, sem conseguir retomar a cadência anterior, resolveu o jogo através de um canto-curto muito bem trabalhado (2-1) e de mais um passe longo da defesa variando o flanco (3-1). Os golos de Márquez (eterno capitão, com 130 jogos) e Herrera (novamente a aparecer de trás para a frente) voltaram a abanar o “leque mexicano”, ajudando a suportar os 40 graus que se faziam sentir no estádio.