O “livro da Académica”

11 de Maio de 2016

O trauma da descida da Académica, para além dos seus sofridos adeptos, não resulta de ver a sua equipa descer. O que se sente é que foi o clube (mais do que a equipa com muitas limitações) que desceu. É a memória de um histórico de “capa e batina”, do Wilson, do Vítor Campos, do Jorge Humberto, do Rocha, do Rui Rodrigues e tantos outros mitos.

A verdade é que “esse clube” já não existe há muito tempo. Em crise existencial perdeu as referencias de outrora. A Académica, porém, só faz sentido com essas raízes. É essa reinvenção adaptada aos tempos atuais (pois é impossível repetir o cenário sócio-desportivo desse mítico passado coimbrão) que o clube tem de fazer. E, assim, surgirem novas equipas.

Não adianta muito falar do que falhou nesta equipa. Não me parece que tivesse armas para ser muito mais competitiva. Esta descida é o culminar dum processo que se pressentia já há algumas épocas (na passada teve o “milagre de Viterbo” mas até no ano em que venceu a Taça salvou-se na última jornada).
Mais do que refazer a equipa, chegou o momento de virar a página da história. Chegou o tempo dos novos “teóricos” de Coimbra recriar o clube nas suas bases.