O meio-campo do FC Porto

01 de Novembro de 2007

O meio-campo do FC Porto

Nove jogos, oito vitórias e um empate. O FC Porto continua líder isolado no campeonato. Aos poucos, aprende a defender sem Pepe. Isto é, com a defesa menos subida e menos espaço nas suas costas, compensando a menor velocidade do substituto. Este recuo do bloco podia alterar a dinâmica das transições defesa-ataque do meio-campo, mas o bom momento táctico-físico do triângulo Assunção-Meireles-Lucho resolveu, para já, essa questão. Com Lucho em boa forma qualquer problema no sector resolve-se rapidamente. Ocupa o espaço a defender e a atacar surge na segunda linha para, sem um médio ofensivo clássico, iluminar a zona de construção entre-linhas, com passes de morte ou abrindo na direita em trocas posicionais com um falso extremo.

A questão agora é saber onde pode ainda a equipa crescer? Cada sector é um caso, mas o principal pensamento de Jesualdo a médio-prazo, para além do ponta-de-lança, estará no meio-campo. Vejamos: A época passada, foi toda feita com 6 médios. O mesmo trio titular de agora, mais Anderson (só em poucos jogos) Ibson (segunda escolha) e Jorginho (muitas vezes na ala do ataque). O melhor momento da equipa coincidiu com o melhor do sector. A primeira volta. O pior foi também consequência da quebra desse trio. Na segunda volta. Esta época, há outras soluções. Não são melhores, são diferentes. Nenhum delas, porém, poderá segurar o sector se quebrar alguma daquelas peças chave. Bolatti é, apenas, posicionalmente, um duplo de Assunção. Kazmierczak apenas dará maior robustez á meia-esquerda, mas sem a capacidade de queimar-linhas de Meireles. Leandro Lima ainda vive à margem da máquina. É compreensível que os adeptos gostem dele, pois dá velocidade, faz fintas e desequilibra adversários.

É compreensível que Jesualdo desconfie dele, pois ao mesmo tempo, também desequilibra a própria equipa, sobretudo na transição defensiva. Mariano é um erro de casting como médio puro. O seu melhor lugar é na esquerda jogando de fora para dentro. Não tem cultura para jogar em zonas interiores numa equipa de top. Falta-lhe capacidade de temporização e noção de passe em circulação por trás. A melhor solução para equilibrar o sector com quatro médios continua a ser a subida do lateral Cech, como se viu na Turquia. Outra soluão seria voltar a rotinar Paulo Assunção a jogar em posições mais adiantadas, como fez quando chegou a Portugal, ocupando Bolatti o seu lugar de pivot-efensivo. Para colocar em pratica esta opção, é necessário, no entanto, antes treiná-la. E muito. A equipa não tem, assim, hipótese de jogar, de forma sustentada, em 4x4x2. Só circunstancialmente durante o jogo. Uma opção que, para além das limitações do meio-campo, choca frontalmente com o jogo de Quaresma, claramente extremo de 4x3x3.

Face ao exposto, é óbvio porque os novos médios reforços não jogam. O velho trio Assunção-Meireles-Lucho continua a ser o grande gestor das dinâmicas. O problema surgirá quando, como na época passada, alguma destas peças da máquina perder intensidade. O jogo com o Belenenses confirmou esta ideia.

Lisandro e o caso do Ponta-de-Lança

O meio-campo do FC PortoO outro ponto onde o FC porto pode crescer, em opções e dinâmicas, é no lugar do ponta-de-lança. Lisandro é um grande jogador e faz o lugar com garra e eficácia, apesar dessa opção o deslocar da posição desde a qual as suas características se soltam melhor, na ala, como falso extremo, jogando de fora para dento, em diagonais de aproximação à área. Mais do que estar no centro da área, Lisandro gosta de aparecer na área. Com um bom ponta-de-lança, o FC Porto continuaria a ter Lisandro (ainda melhor) e ganharia um clássico homem de área, que, ao contrário do argentino, saiba jogar de costas para a baliza, entre os centrais e receber centros. Com isso cresceria muito a atacar. Olhando o plantel, Adriano seria o mais indicado. Mas não é esse o tipo de nº9 que o modelo de Jesualdo necessita.

O ideal seria um avançado mais rápido que soubesse nas transições rápidas esticar a equipa, dando-lhe profundidade no corredor central, pedindo bola para os espaços vazios e não apenas centros atrasados.