O “monumento” e as “estátuas”

24 de Maio de 2016

Como apenas “meio-modelo de jogo” pode ser mais forte.

Quando Chidozie viu que Helton vinha a sair, assustou-se, ambos hesitaram e num ápice Rui Fonte roubou-lhes a bola e foi para a baliza. Num lance fora do que o jogo então podia dizer, surgia um golo que o condicionaria até ao fim. Nem quando uma “bicicleta” feita como um exercício num trapézio sem rede, fez, no último minuto, um golo-monumento ao futebol para dar o empate.
Nenhum destes momentos parece ter pontos de contacto. Entre eles, o “monumento” e as “estátuas”, existiu uma equipa do FC Porto que queria ter a bola (e tinha) mas que chocava quase sempre com um muro de dificuldade em tomar boas opções nos últimos 30 metros quando encontrava... a outra equipa.
Era a do Braga que “cheirava os erros” e se sentou estrategicamente na sua sólida organização defensiva entre meio-campo e defesa (duas linhas de quatro feitas “estátuas posicionais” que basculavam de um flanco para outro guiadas por uma dupla com um íman que atraía a bola, Mauro-Luís Carlos).

O modelo de jogo do Braga de Paulo Fonseca chegou ao fim da época físico-mentalmente esgotado para carburar no momento ofensivo como fez nos melhores períodos da época (onde foi, junto com o Sporting, a equipa que melhor jogou em mais jogos). Ganha esta Final assente no que melhor pode hoje apresentar dele: a rápida reorganização atrás da linha da linha da bola pós-perda da posse. Tenta que o bloco não fique demasiado baixo, mas mesmo quando isso sucede os centrais (André Pinto, Ricardo Ferreira e Boly) tiram tudo.
Faria outro golo de “arrepiar cabelos azuis-e-brancos” (agora erro Helton-Marcano). Ofensivamente, o Braga não conseguiu fazer muito mais (o motor de Rafa já não arrancava). Defensivamente, porém, fez tudo para aguentar os erros portistas que aproveitou.
Foi uma equipa que esteve em campo estrategicamente como um “ladrão táctico”. Assaltou o cofre azul-e-branco e fugiu sem deixar rasto.

O “modo gestão” só serve para ganhar a defender

andrebicicleta

Nem o “golo-monumento” de de André Silva conseguiu mudar o destino deste FC Porto sem uma identidade clara. Cada jogador quando tem a bola parece buscar referências de segurança de organização-ideológica a quem a entregar em campo mas esse jogador não existe neste onze. Melhorou com Ruben Neves mas na zona de definição continuo, honestamente, sem perceber verdadeiramente qual é o papel de Herrera (na estrutura e nas dinâmicas). Vejo-o como um bom nº8 de arranque/condução. Neste modelo, não é terceiro-médio nem segundo-avançado e acaba por não ser o ultimo elo de ligação entre médios (pois joga à frente de Danilo-Sérgio Oliveira).

Quando encontra uma equipa assim cheia de dúvidas, a outra, mesmo que já muito carregada pela “fadiga tática” natural de final de época, consegue sempre ser "mais equipa” porque joga com mais certezas de tudo que faz (o que é potenciado se o poder fazer, como foi, na defesa dum resultado positivo)
Nem mesmo quando o jogo foi para prolongamento após a pressão final portista, o jogo mudou. Nessa altura, parecia que o onze de Peseiro que acabara em 4x4x2 a sufocar tinha tudo para tentar continuar a forçar, mas, estranhamente, o seu jogo como que entrou no “modo de gestão”. Com esse “chip táctico” de regresso ao relvado, o Braga de Paulo Fonseca voltou a sentir-se no seu território fisico-emocional-táctico ideal para aquela sobreviver naquela fase. Tinha até melhores condições para estar no “modo gestão”.

Ambas as equipas pareciam ver os penáltis como uma porta de saída de sucesso que explicasse o que fizeram (ou tentaram fazer) durante o jogo. Nesse sentido, teve lógica as defesas de Marafona, a “última barreira” da organização que fez a “carne e o osso” do triunfo bracarense.
Mais do que apenas a vitória desta equipa (em exibição esforçada de fim de época) foi uma década de crescimento do clube que mereceu ganhar este titulo.

bragataça