O QUE COMEM OS ALEMÃES QUANDO SÃO PEQUENOS?

29 de Julho de 2014

Não sei se é problema meu mas não consigo imaginar um alemão em pequeno a jogar futebol de rua. Imagino brasileiros, mexicanos, europeus latinos, mas não alemães. Não imagino Schweinsteiger, ou até o antigo guarda-redes Khan, em miúdo a jogar na rua. Olho para eles e tenho a ideia que começaram logo a jogar grandes. Que quando se lembraram de jogar futebol já eram daquele tamanho. Calma, eu sei que isto não faz sentido. É só uma forma de olhar para o poder e estilo, gigante e frio, dos alemães. Ou seja, ser alemão, nesta visão futebolística, antes duma nacionalidade, já é uma característica por si só. Não é necessário jogar muito bem, basta serem...”alemães”.

O jogo com a França foi uma prova desse poder e código genético com e sem bola. Perspectivou-se uma batalha a meio-campo, mas nem se deu por isso. A “sala de máquinas” de médios alemães sufocou a força que se imaginava vir do poder de choque com Matudi-Pogba.
Low soube pensar o jogo. Desviou Lahm para lateral direito (metendo no mesmo corredor Muller, ganhando largura/profundidade na faixa, “jogo exterior”) e lançou em pressão alta um triângulo a meio-campo com Schweisteiger pivot, mais Kroos-Khedira subidos que empurrou para trás Matuidi e Pogba. Manteve o “jogo interior” forte que sempre foi a imagem de marca histórica alemã mas deu-lhe mais largura nas alas.

A equipa movia-se em 20 metros, deixando outros trinta atrás, que ia da defesa subida, colocada perto da linha do meio-campo, até Neuer, o guarda-redes que controla as costas/profundidade nas saídas rápidas com os pés. É tacticamente notável.

Isto não nasce do que os alemães comeram em pequenos. É “futebolisticamente genético”. E, nos últimos anos, tem a ver com uma renovação que criou um sistema de Academias de futebol certificadas (budget e staffs técnicos selecionados) revitalizando um futebol que decaía perante o emergir latino. Tudo para alimentar a base inicial: são alemães, com tudo que isso implica. Da cabeça às chuteiras.

P.S. (entretanto chegou-me uma foto de Schweinsteiger em pequeno. Existiu mesmo. Era menos lourinho, mas existia)

O FUTEBOL “LESIONADO”

O QUE COMEM OS ALEMÃES QUANDO SÃO PEQUENOSA bola fora metida na frente e Neymar fez-se a ela, como sempre, para a receber e girar-se para a frente. Não o fez logo, talvez para segurar e ganhar algum tempo na parte final do jogo. Foi então que sentiu, nesse momento, um colombiano, intimidado e com ansia de a tirar, lhe acertar uma forte joelhada nas costas. Um movimento descontrolado que fez Neymar cair. Enquanto se juntava o habitual monte de jogadores para discutir, Neyrmar continuava estendido.

Quando o vi sair, com esgar de dor e lágrimas, temi o pior, mas não achei que fosse tão grave. O diagnóstico, porém, foi implacável: fractura na vértebra. Neymar está fora do Mundial.

Há alturas que deixa de existir vontade de escrever sobre futebol. O Mundial já não vai ser o mesmo. As emoções irão continuar, claro, mas falta o jogador-pássaro exótico, com madeixas espetadas, olhar moleque e finta que brinca com a bola, o adversário, enfim, o mundo.

Neymar tinha o sonho de ganhar aquele Mundial, sambando com a turba canarinha enlouquecida. Mas a realidade é outra coisa e, nos insondáveis desígnios do futebol, encaminhou-o para o pesadelo.