O Sonho e a Realidade

02 de Julho de 2017

Nada é perfeito. A bola rolava perfeita, com velocidade e mobilidade por todos os jogadores que se interligavam no passe e desmarcação mas faltava o golo. Os chilenos jogavam fazendo uma teia-de-aranha de futebol de pé para pé mas Ter Stegen, o guarda-redes alemão enchia a baliza. Mal perdia a bola, o meio-campo chileno ativava o radar de recuperação do 4x4x2 com Vidal no vértice ofensivo impedindo o inicio de construção dos três centrais do 3x4x2x1 alemão.

Os chilenos conseguiam esconder a bola da Alemanha mas em nenhum momento uma equipa alemã se enerva mesmo com tamanha insolência que leva o Chile a arriscar esse jogo rendilhado mesmo à entrada da sua área. Foi quando ao rodar depois de fugir a um alemão, Diaz, que queria sair a jogar curto, viu de repente surgir outro, Werner, que lhe roubou a bola nesse local proibido.

Sem tremer, dois alemães viam-se sozinhos perante Bravo. Nesse momento sentiu-se como se não tivesse existisse qualquer jogo antes. Os alemães tinham cheirado o erro em toda a estética do jogo chileno e, calmamente, esperaram o momento para lhes roubar o “sonho de futebol”. Passe, golo!

Por outras vezes, até ao fim da primeira parte, esta luta entre o sonho chileno e a realidade alemã voltou a ameaçar, embora no movimento puro do jogo fosse quando Draxler acelerava em posse que se sentia mesmo o verdadeiro poder germânico com a bola.

O Chile joga abraçado à bola mas não a sente como um tesouro, sente-a como um brinquedo de futebol. Para a Alemanha, é como uma arma.

A forma como os chilenos jogavam com raça técnica punha o jogo aos saltos sempre que tinham a bola e atacavam. A forma como os alemães olhavam para eles nesses momentos, serenos mesmo recuando, parecia que punha o jogo dentro de um “congelador da sua personalidade”. Rudy parece uma rocha em forma de médio-defensivo que só se vê quando Alexis Sanchez vai para rematar. As redes pedem a bola, mas ela bate na muralha humana alemã.

Mesmo depois do apito final, fico com a ideia que os chilenos continuam a atacar, a trocar a bola, a insistir. Não querem que o jogo acabe nunca. Mas acabou mesmo. Porque para os alemães afinal há coisas perfeitas. São estas. As que futebolísticamente a sua frieza impõe na história do futebol!