O “testamento-Van Gaal” para o novo Manchester

23 de Maio de 2016

É difícil reinventar um clube sem cair logo em duvidas existenciais às primeiras bolas que batem no poste. O Manchester United pós-Ferguson falhou a primeira opção Moyes, essencialmente por questões de liderança do novo treinador, num contexto totalmente diferente onde antes (Everton) o fora sem problemas, e falhou a segunda aposta, Van Gaal, mais por questões do próprio treinador, que para além de entender do clube, pareceu sempre deslocado daquilo que ele próprio foi durante a sua carreira. Ou seja, não foi por não ser capaz de “mandar num clube de egos subitamente à solta”, mas sim por querer continuar processos de transformação de jogo que, no atual contexto do futebol inglês, não admitem uma complexidade tão grande.

Desde a tese dos sistemas de “defesa a 3” com que quis iniciar uma “revolução tática”, o que mais intriga, é como um treinador como Van Gaal, não entendeu o que é hoje o futebol em Inglaterra. Treinadores “meramente terrenos”, como Pochettino e Ranieri, entenderam-no (sem a mesma pressão, é verdade) e não entraram num constante jogo de “exploração de ideias novas”.
Faz-me impressão a quantidade de jogadores “para crescer” que o Manchester de Van Gaal foi contratando ou apostando ao longo destas duas épocas. Martial, o maior investimento, seria sempre um excelente jogador para o... próximo treinador.

Nesse novo mundo a ser criado, Mourinho irá protagonizar “outra ideia de Manchester”. Não acredito que queira qualquer jogador “para fazer crescer”. Quer é jogadores “para fazer ganhar”.
Jogadores que pedem a bola no peito a cinco minutos do fim quando o resultado é desfavorável e o ambiente nas bancadas, em redor, é hostil. É desta matéria de jogadores que têm de ser feitas as bases (um líder por sector) das grandes equipas. Nessa visão, Mourinho não falha. Old Traford não irá ser, nos próximos tempos, o melhor local para alguém sonhar muito.