Os adeptos precisam de acreditar em heróis!

17 de Maio de 2015

Os adeptos precisam de acreditar em heróis!

Era o seu segundo Mundial a titular. E, na Final, o jogo foi a penáltis.

Não defendeu nenhum mas “posso contar aos meus netos que Trezeguet ficou baralhado quando me viu e por isso falhou. Sei que ninguém irá desmentir isso. Talvez Trezeguet, mas ele não conta!”. Todas as histórias que Gigi Buffon descreve no seu livro “Numero 1”, desde essa tarde-noite em Berlim, em que correu desenfreado para o fiscal-de-linha quando viu Zidane a dar uma cabeçada no peito de Materazzi (“não foi um gesto desportivo mas naquele momento a tensão era demais, ele demasiado bom, nós estávamos em dificuldades e perante a hipótese de vê-lo expulso dos últimos minutos, foi impossível controlar-me!”) até um mês depois, quando a sua Juventus (após ser campeã) foi apanhada no "calciocaos" do soturno Moggi e despromovida á Série B.

Tudo tremeu mas Buffon decidiu ficar “. Esta a história é um paradoxo. Fiquei porque a Juve foi acusada e condenada à descida de divisão”. E, assim, em poucas semanas, foi de Berlim até Rimini, a equipa que defrontou no jogo inaugural da Série B. “Acabou por ser uma grande experiência, com um publico fantástico. A Juventus é sempre odiada em qualquer lado de Itália, mas, desta vez, ao invés, em toda a época, o publico tratou-me espetacularmente”. A “nova Juventus” subiu e nasceu ai.

E chega-se a Madrid 2015. Em nenhum momento a Juve esteve em campo a pensar que era mais forte que o Real. Pelo contrário, assumiu essa superioridade, mesmo que baseada nas individualidades. A sua resistência vitoriosa exigiu, porém, que fosse à procura do golo do empate.

Na base da ideologia Allegri está uma equipa essencialmente física, curta a defender e com linhas juntas num longo losango em 4x3x1x2 (soltando Vidal para pressionar mais alto e manter atrás dele um triângulo de cobertura e saída mais em largura). Um processo em que participam todos os jogadores, a começar na dupla atacante que recua de perfil desenhando então um 4x4x2 clássico a defender.

Estranhei, pela devoção italiana a essa causa táctica, não entrar com três centrais (5x3x2) optando antes pelo meio-campo a “4”, num sistema de rosto mais “europeu”.

Não acredito na coesão táctica estendida no campo desses sistemas de defesa a “3” ao alto nível internacional. Pode ser (como foi na parte final) uma estratégia para os últimos 25/30 metros, mas dificilmente será para montar um bloco compacto que avança-recua-avança sem se partir ou abrir espaços nas costas durante 90 minutos. Allegri deu esse “upgrade de sistema europeu” em relação a Conte.

E, no último grito de Buffon no momento do apito final, o futebol revelava-se como é, um perfeito simulador de felicidades e desgraças.

P.S. A “cabeça atada” de Chellini é comum aos dois sistemas.

OS TRÊS SECTORES JUNTOS

A Champions fala a verdade absoluta, mesmo para dividir as melhores equipas da Europa. Nas quatro das meias-finais, é decisivo olhar para os seus três sectores e ver, independentemente do modelo, em quais existem problemas e em quais estão todos fortes (e interligados). Sucede no Barcelona e na Juventus (blocos compactos-interligados). Não acontece no Bayern (com problemas na defesa) e Real Madrid (com problemas no meio-campo de construção e cobertura defensiva). A este nível, mesmo em “equipas de top”, isso é fatal.

O caso do Real é de deficiente constituição do plantel (que colocou a equipa, seu equilíbrio de jogo, dependente dum jogador, Modric, lesionado).

O caso do Bayern é de deficiente opção de princípios da linha defensiva aplicada ao modelo (demasiado subida e com menor valor individual).

Nesta fase, seria até mais útil ter Lahm a lateral (em vez de médio) para garantir o “alinhamento” dos quatro defesas.

Estão na Final as duas melhores “equipas tácticas”. Com mágicos.