Os donos do “iceberg” e o “rato italiano”

01 de Julho de 2016

É, neste momento a seleção para quem todos olham como um enigma: o que poderá ainda fazer mais a Islândia? Como irá o seu rochoso 4x4x2 chefiado pelo “trinco-lenhador” Gunnarsson resistir (e depois sair para o ataque) frente à indefinida França de Deschamps. Os jogadores são os heróis, mas é impossível dissociar esta proeza do homem que está no banco, Lars Lagerback, espécie de treinador-professor “catedrático do futebol nórdico”.

Entre as seleções sub-21 (onde entrou em 1998 vindo do Hudiksvalls), seleção B, adjunto e responsável principal (2008-2009) esteve 19 anos nas seleções suecas, saiu para orientar a Nigéria no Mundial 2010 e chegou à Islândia quando decorria um projeto de reestruturação desde a base de todo o futebol islandês.

O seu conhecimento profundo do futebol nórdico foi fundamental para a maturação da parte mental e táctica dessa “revolução futebolística islandesa” (até a preparar o Hallgrimsson para assumir o comando). A Islândia de Lagerback é parecida, no estilo e carácter, à sua Suécia. Não existe, claro, Ibra, mas conseguiu fazer da grande estrela ofensiva-tecnicista, Gylfi Sigurdsson, um “jogador completo de equipa sem bola” que mete agora esse seu traço de maior técnica num modelo de jogo assimilado no qual, primeiro, baixa com o bloco e, depois, faz... subir o bloco. Uma dupla-missão de Sigurdsson que faz avançar-recuar-avançar o “iceberg islandês” em campo.

O “rato italiano”

giaccherini

De todos os médios italianos inventados por Conte para tornar o seu trio do meio-campo resistente, equilibrado e rotativo, ele parece a peça que menos encaixa, mas é, se virmos bem, a que a faz andar mais. Giaccherini, pelo seu “estilo-rato” incorpora a cultura táctica italiana que o fez passar na careira de ala-veloz no Cesena (saltou para a Juventus mas a camisola ficou-lhe “grande demais) a “médio táctico de trabalho”, após uma boa época em Bolonha, aos 31 abos. Cumpre ambas as missões na perfeição e nesta Itália ninguém “come metros” com bola como ele. Avança e depois recupera rapidamente a posição no triângulo. É a face mais da reinvenção competitiva desta Itália e da multifuncionalidade dos seus jogadores num 5x3x2 que tem sido mais 3x5x2 durante os jogos. O “voar baixinho” do 1,67m de Giaccherini é fundamental nesse desdobramento.