Os espaços das ideias

19 de Abril de 2016

Se esta equipa do FC Porto estivesse mesmo em pré-época existiria um jogador que teria no sistema um papel de protagonista (talvez excessivamente protagonista) ou de influência em zonas do terreno em que se imaginava outro tipo de jogador. Penso em Herrera, hoje o médio mais adiantado do trio do meio-campo, quase parecendo um segundo-avançado (acariciando o 4x4x2) tal os movimentos de ruptura em torno do ponta-de-lança.
Num novo FC Porto construído desde as bases, imagino naquele espaço 10 um jogador mais cerebral no sentido criativo-organizativo. Quando penso em Herrera, penso sempre nele a correr. Atrás da bola, invadindo espaços. Quando penso naquele lugar, penso mais em alguém a mudar de velocidade, pausa e passe (o tal encanto do “ultimo passe”).
Claro que tudo isto depende da ideia de jogo do treinador, mas vendo o atual papel de Herrera, ter o mesma no inicio da próxima época seria dar-lhe uma responsabilidade/importância no sistema que condicionaria muito o processo atacante nos últimos 30 metros. Sempre vi Herrera mais como um 8. Onde joga melhor e pode fazer a equipa jogar melhor.
É, porém, ainda a época 15/16 que se joga e nesse sentido esta “fórmula-Herrera” de Peseiro tem sido decisiva para o melhor futebol atacante da equipa (viu-se contra o Nacional). Rotinou mesmo um trio do meio-campo que se respeita posicionalmente, com Danilo fixo a 6 e Sérgio Oliveira a crescer como 8 de inicio de construção circulando por trás.
É nesta base que a equipa crescerá até à Final da Taça. Na próxima época terá, acredito, outras bases. No plantel e especificamente no meio-campo.
Continuando ou não, Peseiro quer deixar claro que este, o que joga agora, é mesmo o “seu FC Porto”. Pelo seu perfil, nunca seria apenas um treinador de gestão que se limite ao já existente.
Peseiro não é esse tipo de treinador. Mesmo que só treinasse a equipa durante apenas um jogo, iria faze-lo de forma a todos perceberem que aquela era a “sua equipa”, a sua forma de jogar e não a que herdara de ninguém. Tem uma ideia (mesmo sem escolher os jogadores para a expressar da melhor forma) e nunca renuncia a jogar com ela. Esse desafio Peseiro já ganhou no FC Porto.
Criticado ou elogiado, sofrendo ou atacando mais, esta equipa é dele. Tem a sua marca. Como todas por onde passou tiveram. Para o bem e para o mal, ser treinador (de verdade) é isto.