Os factores de crescimento

09 de Março de 2016

Aquela perdida incrível de Brian Ruiz no derby é hoje o grande momento do campeonato. Aquele que mais arrepiou. Pelo lance em si, por ser com quem foi (um poeta da técnica) e no momento em que foi (a bola entrava e o líder era outro). As nove jornadas que faltam escondem, porém, outros momentos que lhe vão sobrepor. Mesmo que não ponha tantos cabelos em pé.

Esta época já nos ensinou que ainda é cedo para ditar sentenças e eleger seus heróis e vilões. O Benfica de Rui Vitória deu um passeio pelo paraíso esta semana (Campeonato e Champions). A confiança com que a equipa joga, conhecendo-se a si própria e assim até onde pode ir (o bloco e a tática) em cada fase do jogo, é hoje o seu maior tesouro. O Sporting de Jesus não a terá perdido só por um jogo, o derby. Por isso, busco mais a origem da derrota (ou melhor, da ansiedade sentida) no jogo anterior, quando em Guimarães jogou já a pensar tanto no jogo seguinte, o derby, e perdeu pontos.

Ninguém consegue jogar dois jogos de uma vez, mas, nesta fase da época, é decisivo saber pensar em dois jogos ao mesmo tempo. São coisas diferentes e essa preocupação só pode existir na cabeça do treinador. Nunca pode passar para os jogadores. Se passa, a equipa fica mentalmente numa encruzilhada e isso nota-se em campo.
O atual Benfica desmistifica a questão de não ser possível disputar duas competições tão importantes ao mesmo tempo. Demonstra-o com um plantel que tem limitações mas que não... limita os jogadores. São potenciadas as suas forças antes de disfarçadas as suas fraquezas.

Jesus teve uma ideia diferente desde o inicio. Expôs o plantel (ou melhor, os jogadores fora do onze titular) nas outras provas e assim demonstrou as suas limitações. Forçou mesmo essa exposição. Com isso só limitou jogadores.
O Benfica “ganhou” mais jogadores durante a época (no sentido deles crescerem dentro da equipa e seu potencial individual) do que o Sporting nesse mesmo período (os casos de Matheus Pereira ou até de Gelson, que devia ter sido o revulsivo que a equipa precisou durante estes últimos jogos decisivos). No Benfica, o esfumar de Gonçalo Guedes teve origem na entrada de “upgrade táctico” com Pizzi.
Cada qual tem o seu modelo de jogo e não estão aqui em causa seus valores estéticos, mas nesta fase da época (ao contrário do inicio) cresceu mais taticamente o Benfica do que o Sporting. Será mesmo decisivo?