Os jogadores que fazem “revoluções” no jogo

27 de Novembro de 2014

Os jogadores que fazem “revoluções” no jogo

Muitas vezes, durante o jogo, sinto que um jogador tem como uma espécie de revolução pendente para resolver. Com ele, com os adversários e, claro, com o próprio jogo. Não sei se esse estimulo o torna melhor jogador, ou mais motivado, mas quase sempre o torna como o centro de muitos olhares. Pode ir desde a rebeldia quase insolente (ou genial) de Balotelli até à garra infinita que se sente porem em cada jogada, como a raça em cada movimento de ataque à bola de Sérgio Ramos. São apenas dois exemplos que me fazem despertar aquele sentimento.

Um dos jogadores que neste inicio de época me está a despertar mais entusiasmo é o ponta-de-lança da Sampdoria: Okaka Chuka.

Depois de várias épocas passadas sem se soltar, na Roma (onde se formou), Brescia, Modena, Bari, Spezia, Parma, até um empréstimo ao Fulham, surge agora renascido, explosivo e agressivo em cada jogada, com qualidade de movimentos, força e técnica de execução mesmo com quase uma montanha de defesas quase pendurados nele para o parar. Um inicio que o levou a estrear-se esta semana na seleção principal italiana no particular contra a Albânia. Entrou, jogou perto de meia-hora e fez o golo da vitória. Já jogara nas seleções jovens. O seu nome revela, claro, outras origens, africanas, filho de pais nigerianos emigrados em Itália onde já nasceu, pelo que tem a nacionalidade italiana. O seu estilo tem as duas inspirações, a natureza e a fabricada. Tem, no entanto, muito mais de escola italiana de avançados-centro, que sempre gostou de nº9 corpulentos que saibam lutar na área (na história, entre outros, de Boninsegna a Luca Toni, com a grande exceção de Rossi).

Okaka tem 25 anos. A questão que se coloca é se ele atingiu mesmo este nível agora ou se é apenas um jogador num grande momento de forma (físico e jogo) que depois voltará à “normalidade”.

Há muitos outros jogadores que nos suscitam essas duvidas ou, na carreira, mantem-na permanente, tal a forma como apesar do valor que lhe vemos, hesitam, e não descolam para outra dimensão. Outro caso é Harnik, avançado austríaco que fez carreira na Alemanha, jogando sobretudo a partir da ala. As últimas épocas estão repletas de belas jogadas suas, vindo da faixa. Também na seleção.

Esta época já surgiu a jogar como avançado-centro no clube, o Stuttgart.

Tem arrancadas, com bola controlada em drible progressivo, “serpentando” por entre defesas, que empolgam qualquer amante do bom futebol. Com 27 anos, nunca deu o salto para um cube maior, nem o seu nome aparece nesse grande circuito de mercado. Talvez por isso tenha também aquela mesma atitude de quem parece querer “acertar contas” com alguma coisa no jogo.

Os jogadores que fazem “revoluções” no jogo No passado, outros jogadores fizeram toda a carreira suscitando essa sensação. Não será, penso, uma questão meramente futebolística. Tem a ver com a sua essência. Por vezes, vejo-os como incompreendidos, noutras como injustiçados. Em qualquer dos casos, acho que sentem mais o jogo do que muitos craques consagrados que andam em constantes capas de jornais a impor uma personalidade, na vida como no futebol, pode ter várias formas mas esta é a única que realmente me provoca esta admiração. Como ainda há pouco tempo via Silva, arquiteto de técnica repentista espanhol, dizer quando lhe pediam para se definir: “Eu? Eu não sei definir-me. Para os outros, tenho adjetivos. Para mim, apenas só sei o que tento em todos os jogos é dar-me bem com a bola!”

DESTAQUE:
Um jogador que neste inicio de época me está a despertar mais entusiasmo é Okaka Chuka, ponta-de-lança da Sampdoria. Qualidade consolidada ou apenas um “pico de forma” ?