Os mágicos de Corinthians

13 de Novembro de 2005

Orientado pelo velho António Lopes, 64 anos, o terceiro treinador da época (depois das demissões de Passarela e de Márcio Bittencourt), o actual Corinthians é uma equipa que marca a diferença no futebol canarinho. Demorou para encontrar um modelo de jogo base, perdeu o Paulistão, mas, com muitas soluções, revela hoje grande solidez, táctica e técnica, para deixar marcas nos relvados sul-americanos. No início (esquema da foto) com Passarela, alternava entre o 3x5x2 (sistema preferencial do futebol sul-americano) e o mais europeizado 4x4x2. Sem definir um onze base, procurava implantar um maleável 4x3x1x2, com Roger a fazer a ligação entre o meio campo e o ataque, apoiado por Carlos Alberto à direita, enquanto, Gustavo Nery, partindo desde a defesa com fôlego para subir e descer, fazia a toda a faixa esquerda. Na frente, faltava um artilheiro nato. Tevéz é um craque fabuloso, mas não é o típico centro-avante de área. Nessa lacuna, Gil entrava de trás e surgiu a aposta no jovem esguio Jô, um centro-avante girafa sem grande mobilidade mas que surge sempre muito oportuno a encostar para o golo, na entrada da pequena-área.

Os mágicos de CorinthiansDepois das hesitações de Márcio Bittencourt que seguiu o trabalho de Passarela, a solução passou pelo velho caminhante dos bancos brasileiros, António Lopes. Ele sabe como descobrir soluções. Este histórico jogo com o Santos foi um exemplo disso, pois começou com muitos problemas na escalação defensiva. No eixo, sem os zagueiros titulares Betão e Sebá (dois muros), surgiu o adaptado Wendel (médio de origem) ao lado de Marinho, o único verdadeiro central utilizado. Nas faixas, Eduardo Ratinho ganhou, à direita, o lugar a Coelho ou Edson. Na esquerda, com Nery de fora, o ala-ofensivo Hugo recuou para se disfarçar de lateral-canhoto. Após um inicio hesitante, revelando falhas de marcação nas bolas paradas. O onze recuperou a segurança defensiva quando o trinco Marcelo Mattos recuou e encostou-se á improvisada dupla de centrais, passando a gerir a recuperação (em antecipação), da bola, lançando depois o contra-ataque, apoiado pelo incansável Bruno Otávio. Á sua frente, na segunda linha criativa do meio campo, sem Roger, o time resgatou o talento rebelde de Carlos Alberto. Descaído sobre a esquerda, mas procurando sempre, com a bola, zonas interiores, o feijão fintou, tabelou e foi o elo de ligação com o ataque.

A seu lado, movendo-se no centro-direita, um médio cujo nome convêm fixar: Rosinei. No ataque, em vez de Jô, uma veloz e imparável dupla atacante em permanente movimento, com capacidade de inventar a qualquer momento: o argentino Tévez e Nilmar, vindo do Lyon, franzino mas, com grande instinto goleador, quase impossível de ser marcado em cima. Um onze sábio a gerir os diferentes ritmos de jogo que esmagou um Santos (com dez na ultima meia hora) e quase sempre perdido em campo.

O actual onze-base do Corinthians a um passo do titulo do Brasileirão/2005

Os mágicos de Corinthians