Os malabaristas Bolasie e Ighalo, e o “dilema-Van Gaal”

30 de Dezembro de 2015

Entre a alma do jogo, jogadores e treinadores em destaque e debate.

1. É uma das equipas que mais gosto de ver jogar. Pelo estilo e jogadores que tem. O Crystal Palace de Alan Pardew (6º). Começa no duplo-pivot de cobertura-recuperação-condução Ledley-McArthur e acaba no trio ofensivo atrás do ponta-de-lança Wickham (4x2x3x1). Nesse trio, duas “setas” nas faixas, Bolasie e Zaha, eum tecnicista pensador no meio, Puncheon, que também baixa para pegar no jogo. Pela velocidade de Zaha-Bolasie parece uma equipa de contra-ataque, mas é sobretudo uma equipa eximia a explorar os momentos de espaço livre nas defesas adversárias para meter um... ataque rápido. Empolgante. Vejam os seus jogos com Bournemouth e Chelsea.
2. Mas o avançado talvez em melhor forma está no belo Watford de Quique (7º). É o nigeriano Ighalo (que nem convenceu em Espanha no Granada). Rápido nas desmarcações, mesmo marcado em Cabaye-Bolasiecima, ganha nesse “duelos de velocidade dividida” e finaliza muito bem. Por vezes o remate até parece inestético mas ninguém marcou tanto como ele, em todas as divisões juntas, durante 2015.

3. No Manchester United as criticas a Van Gaal são perturbantes porque se critica uma forma de jogar mais direta na busca da profundidade em vez do seu velho belo futebol apoiado de Ajax, Barcelona ou AZ. Ao duplo-pivot (em 4x2x3x1) seja Schneiderlin-Schweinsteiger ou Carrick-Fellaini, custa-lhe sair para o jogo, não tendo ligação com a segunda linha do meio-campo onde, em rigor, está um segundo-avançado (Mata) mas que por jogar sempre entrelinhas nunca faz o sistema evoluir para 4x4x2.
Já com a Holanda do Mundial-2014, dera estes indícios de mudança de ideologia. Vejo os jogos e não consigo evitar questionar o que terá mudado na cabeça de Van Gaal para alterar tanto os seus conceitos de jogo? Este Manchester é reflexo dessa indefinição ideológica. Joga sem uma identidade clara.