Os novos ritmos do samba

30 de Outubro de 2008

Os novos ritmos do samba

Os remates de Guilherme, os passes de Tcheco, a táctica de Hernanes, o instinto de Alex Mineiro. Quatro estrelas que iluminam quatro equipas, Cruzeiro, Grémio, São Paulo e Palmeiras, separadas por apenas um ponto no topo da classificação a seis jornadas do fim do Brasileirão 2008. Como quinto candidato, o Flamengo dos milagres goleadores do desengonçado Obina, a três pontos. Apesar desta emoção competitiva, o futebol nos gramados está longe da qualidade ou do estilo da arte canarinha tradicional. O futebol brasileiro é hoje uma série de batalhas no meio-campo. As equipas, tacticamente, preferem o 3x5x2 ou o 3x6x1, dando aos laterais a missão de serem extremos na dinâmica atacante. Enchem o corredor central com volantes operários à frente de três zagueiros durinhos e o criativo que jogava nas costas dos avançados praticamente desapareceu.

O Palmeiras de Wanderley Luxemburgo, quase sempre em 3x5x2, é um bom exemplo disso, pois o seu mago Valdivia saiu da equipa para dar mais choque aquele espaço, onde surge agora Diego Sousa, por vezes apoiado por Evandro, enquanto nas costas ficam sempre dois trincos-volantes (Sandro Silva, Pierre ou Jumar), muito longe da dupla atacante Kleber (móvel por toda a frente de ataque) e Alex Mineiro (mais em cunha).

Das cinco equipas do topo, apenas o Cruzeiro de Adilson Baptista joga em 4x4x2, com dois volantes (com o relógio Marquinhos Paraná equilibrando Henrique ou Fernandinho). Junto com o São Paulo de Muricy Ramalho (em 3x5x2) é a equipa que neste momento melhor futebol joga. É curioso notar, porém, que, quer em 3x5x2 ou em 4x4x2, em todas as equipas os médios de segunda linha não abrem nas faixas em posse, procurando antes movimentos interiores, abrindo o flanco aos laterais. Quando um médio surge na faixa a dar profundidade, chega mesmo a ouvir-se nas narrações que ele está a “atacar como um lateral”. Existem poucas combinações ala-lateral mas é na excepção a esta regra que está o melhor jogador do campeonato (Wagner, que abre bem na esquerda) soltando nesse movimento a combinação mais imaginativa com Jadilson, o lateral ofensivo.

O bi-campeão São Paulo mudou a sua face. Alterna entre o 3x5x2 e um compacto 3x6x1. Isto é, umas vezes joga com dois avançados e um volante, noutras fica só com um avançado e entra com uma dupla de volantes. É no primeiro sistema que joga melhor, soltando Jean, Hernanes e Hugo como o trio do meio-campo. É, talvez, mesclando táctica e técnica, o melhor meio-campo do campeonato. Marca bem e entra desde trás a combinar com o ataque, onde Borges fica mais fixo entre os defesas, dando liberdade a Dagoberto que, sempre em movimento, é o grande responsável pelos desequilíbrios criados.