Os outros dez jogadores

13 de Abril de 2016

Existe outra forma de olhar para o jogo do Real Madrid. Para além do que a faz marcar, dos três golos de Ronaldo, vendo aquilo que a faz... jogar. É uma existência coletiva quase paralela que têm de cumprir todos os onzes por onde Ronaldo passa. Esse “ser coletivo” atual do Real de Zidane é, no entanto, muito mais importante do que parece. Porque ganhou uma consistência (e consciência) táctica que antes não tinha. Mesmo que, claro, Ronaldo marcasse golos em qualquer das circunstâncias.

Continua a ser, como sempre foi, uma equipa ofensiva. É hoje, no entanto, uma equipa ofensivamente equilibrada. Quando antes era uma equipa ofensivamente... desequilibrada. A chave para essa mudança que emoldura o talento e o poder goleador num novo equilíbrio táctico está no meio-campo e na evolução do “jogo posicional” do seu trio de médios atrás da linha da bola (mantendo o 4x3x3 com o outro trio ofensivo, Bale, Benzema, Ronaldo solto na frente).

Com Casimiro a trinco-pivot, existe um “cadeado posicional” e um “farol” à frente da defesa que mantem sempre próximos outros dois médios interiores que baixam para receber a bola e depois só saem, um de cada vez, para linhas mais adiantadas quando a equipa está no momento ofensivo. Antes disso, fazem o passe de transição defesa-ataque e ficam. Mantêm a equipa equilibrada num “corredor central cerebral”, libertando mais as subidas pelas faixas dos laterais Carvajal-Marcelo (que pouco apoio têm a defender devido à natureza puramente ofensiva de Bale-Ronaldo).

Antes, o Real jogava apenas com dois médios (Modric-Kroos, preferencialmente) e queria unir James ao trio da frente ou fazer do vagabundo criativo Isco o outro dos “três médios”. Sem bola a equipa ficava sempre desequilibrada na transição defensiva ficando. Agora, com este novo trio, na cultura posicional e processos de jogo simples de passe e cobertura(s), reequilibrou-se no espaço chave central do campo e da equipa (em toda a segunda parte o Wolfsburg não teve um contra-ataque perigoso).
É esta a maior evolução que Zidane fez na equipa. Viu o jogo a partir do local nuclear para a fazer crescer no equilíbrio defesa-ataque-defesa (por esta ordem). Não retirou liberdade aos avançados que a fazem ganhar. Seria contraria a sua natureza técnica. Mas deu obrigações posicionais aos médios que a podiam fazer jogar.. equilibrada. Aproveitando o seu saber tático.