Aparição de Reece Oxford e o Watford de Quique

13 de Agosto de 2015

Arranca a Premier League e o primeiro herói ainda podia estar no pátio do colégio com os amigos em vez da sumptuosidade da relva do Emirates a travar Ozil e fazer a bola rolar.

Reece Oxford tem 16 anos (capitão da Inglaterra sub-17) cresceu numa das escolas mais férteis do futebol inglês, a do West Ham, mas apesar de já brilhar no onze de reservas, estava longe de o imaginar a surgir na primeira equipa contra o Arsenal. O impacto foi maior por, apesar de ser defesa-central na formação, ter jogado a médio-centro, a 6, sozinho à frente da defesa, no “holding role”, como lhe chamam os ingleses, que, em tradução livre, descreve quem pega e segura as rédeas da equipa. A equipa e seu 4x3x1x2 “respirou” sempre através dele.
O novo West Ham de Bilic ganhou (0-2) mandando no jogo. No outro vértice surgiu Payet, a 10. Foi interessante ver como aos poucos ia passando do ritmo “light” do futebol francês para a intensidade alta do futebol inglês. Uma transformação expressa na rapidez de decisão e execução com bola.

Após anos na sombra, Quique Flores reapareceu na Velha Albion conduzindo a equipa que me deu mais prazer ver jogar nesta jornada inaugural: o Watford. Belo jogo contra o Everton, num 4x2x3x1 com dois médios-centro que sabem pressionar e jogar (Capoue-Behrami) e um dos últimos nº10 baixinhos ainda escondidos no futebol europeu: Jurado. Vejo o jogar e apetece gritar “estou a ver um jogador de uma espécie desaparecida!”. Na faixa esquerda, um ala destro que encaixa na perfeição no solto futebol inglês: o mexicano Layun.
Será interessante seguir a “proposta” deste Watford de Quique durante a época. Trata-se, no fundo, de querer salvar-se jogando bem. Quando recuperavam a posse provocavam aquela óptima sensação de vermo-nos a perguntar a nós próprios: “o que farão agora com a bola?”