Os “toques” de Gotze

29 de Março de 2016

Em dois particulares, a Alemanha ensaiou dois sistemas diferentes. Contra a Inglaterra, 4x2x3x1 com nº9 clássico (Mário Gomez); Contra a Itália, surpreendeu com defesa a “3” (três centrais: Rudiger-Mustafi-Hummels) num 3x4x3 sem ponta-de-lança. Quem jogou mais soltou no centro do ataque (“falso 9”) foi Gotze (que ás vezes caia na esquerda e dava o espaço ás diagonais de Draxler).
Imutável, em sistemas tão diferentes, a “âncora” Kroos no centro do meio-campo á frente da defesa, mas subindo depois para organizar a construção e, mais á frente, até definir.

Ozil é como que “alimentado” por esta noção de equipa global (independente do sistema) mas embora goleando a Itália nesta segunda versão (com Rudi-Hector laterais ofensivos) o onze fica mais “completo” na ligação entre-sectores na primeira (em que perdeu).

Continuo a pensar que o melhor meio-campo da Alemanha depende, neste momento, do melhor Khedira (em união com Kroos, claro), assim como o melhor ataque depende do seu criativo mais impossível de definir posicionalmente, Gotze. Marcou um golo, deu outros e, sobretudo, transmite a sensação de que sempre que toca na bola a equipa avança na criação de boas jogadas.
São, por vezes, toques subtis, quase só dando uma caricia na bola com a chuteira quando ela passa por ele, mas é o suficiente para todo o jogo (e equipa) se mexer muito melhor. E, assim, nem se falou da estranha crise de pontas-de-lança de seleção que também continua a existir no futebol alemão. É o lado hipnótico dos “toques de Gotze”.