Pensamentos: o que faz a distinção?

31 de Agosto de 2014

Pensamentos o que faz a distinção

A partir de duas lendas. Baresi, e o mito desfeito da altura, e Zanetti, o vazio que ninguém pode preencher.

Mais do que um processo de ensinamento, o jogador tem dons naturais que o treinador deve descobrir.

Leio uma entrevista com Franco Baresi, lendário defesa-central do grande Milan dos anos 80/90, e a certo ponto perguntam-lhe como fez para superar a desvantagem de ser relativamente baixo, 1,76m., para jogar naquela posição. De repente, o futebol de um dos jogadores mais inteligentes do mundo, dos melhores de sempre no seu lugar, passava a ser medido em metros. “Eu acho que o meu ponto forte nunca foi o físico.

Eu era um jogador bastante rápido, mas acima de tudo, eu era rápido aqui, na cabeça (bate com o dedo ao mesmo tempo na testa) Foi isso que me ajudou muito.”. De repente, na resposta, o futebol volta ao seu local certo.

É evidente que é importante a dimensão atlética de um jogador mas nunca será ela que fará a sua essência e qualidade como jogador. Em relação aos centrais existe esse mito mais do que a todas as posições. A altura.

Quando não é simples carto físico que te faz cabecear ou saltar melhor.

Pode, até, naturalmente, chegar mais alto mas sem a base que Baresi refere nunca chegará a uma bola. nem que seja um arranha-céus em forma de defesa-central. A rapidez mental do central é o que faz a base do seu futebol ter ou não a noção do posicionamento e chegada no timing certo a qualquer bola. mesmo as altas. Aquelas em que sabe, o ponta-de-lança grandão até lhe toca, mas já com o espaço de impulsão ocupado e condicionado pelo central rápido. E a bola vai para fora.

Mais do que algo que pode ser ensinado isto é sobretudo algo que é uma coisa natural. Baresi era um desses casos. “É um daqueles dons naturais.

claro que podes melhorar, podes crescer coma experiência, mas infelizmente não, não pode ser ensinado”. Acredito que esta ultima frase (opinião sábia de Baresi vinda da relva) pode suscitar debate e alguns treinadores levantem as orelhas pensando no tanto que trabalham os processos defensivos das equipas e colocação das suas linhas/sectores e jogadores que as compõem para esse momentos. Tudo é importante, mas nada nasce ai, Por mais que o treinador pense que “faz um jogador” quem o “faz” verdadeiramente é a sua essência. Não a altura e os quilos. Aquilo que ele tem na cabeça. É isso que o torna rápido.

As grandes equipas europeias abordam os últimos dias de mercado em busca de jogadores para resolver problemas depôs de passarem tantos meses à procura de quem vendesse ilusões. Fazer/construir uma equipa deve ter a lógica de Baresi, porque se há frase que também nunca concordei é quando se diz que “a equipa constrói-se de traz para a frente”. Não é assim, O que se constrói de traz para a frente é o jogo. Portanto, o essencial é existir a ideia de como se quer jogar, e só depois procurar os jogadores que, com a cabeça, saibam construir tacticamente, pedra sobre pedra (toque após toque) esse jogar em campo.

Esta época terá para mim uma sensação de vazio porque não vai ter o jogador inteligentemente mais rápido que vi nos últimos anos. Já quase nem consigo conceber o futebol sem ele até, confesso. É Javier Zanetti. Tem tudo o que deve ter um grande jogador nos traços que falei antes (plano individual e transfer colectivo).

Ele sabia tido do jogo. Como Baresi confirma, fazendo aqui uma adaptação de uma frase da sua entrevista, quando depois de dizer os jogadores que mais admirou ver jogar só falou em médios e avançados. Defesas? “Gostava do Krol (Holanda e Ajax dos anos 70). Elegante? Sim, mas a razão principal é simples: “além de defender, gostava de jogar futebol”. Sublime!

FABREGAS
AS VOLTAS TÁCTICAS QUE O MUNDO DÁ

Pensamentos o que faz a distinção O primeiro novo Chelsea de Mourinho entra bem na Premier League, ganha e começa a mostrar a base das suas ideias. Diego Costa tem muitos olhares sobre ele, mas ele é um ponta-de-lança, não é verdadeiramente um jogador. Faz esta afirmação sentido? Penso que sim se a abordarem pelo lado que a quis escrever. Ele não joga de costas para a baliza por principio, ele quer sempre a bola á sua frente. O resto, ele resolve.

Penso que Mourinho também não quer outra coisa dele. Para serem “jogadores” há mais 10/9 homens em campo. Fabregas entra na equipa e coloca-se ao lado de Matic. Depois vão-se desligando para cada um ter vida autónoma. E têm.

Confesso: há uns atrás era o ultimo jogador que imagina ver Mourinho querer e era o último treinador que imaginava Fabregas querer para o treinar. Penso no Fabregas made in Wenger e depois desejoso de ir para a fábrica tiki-taka de Barcelona. pelo meio desse caminho, não sei para onde foi a essência do seu jogo, mas a verdade é que ele perdeu o que tinha de melhor: a convicção de como pensar o jogo.

Por isso, as coisas mudam e nesta altura vê-lo no Chelsea, com Mourinho, é o que poderá fazer mais sentido para voltar a perceber (reencontrar-se) com a sua cabeça mas noutro tipo de futebol,. A velocidade das transições é a chave da mudança. Porque é nesse momento do jogo que se muda o “chip” do pensamento defensivo-ofensivo até ambos serem apenas um. Não sei se Fabregas vai atingir esse nível no Chlesea mas tem equipa (moldura táctico-técnica em seu redor) para o conseguir. Chamem-lhe “mecânica pensada de jogo “