MUNDIAL SUB-20 2015 Dia 1

21 de Junho de 2015

Com a “casca de ovo na cabeça”

Tudo muda com o tempo. O Mundial Sub-20, ou de Juniores, nasceu num tempo, anos 70, em que os craques ainda com a “casca de ovo na cabeça”, escondidos nas equipas jovens dos seus países, eram mesmo todos para descobrir. Hoje, muitos já jogam em grandes campeonatos, nas equipas principais ou batendo-lhes à porta.

Quando, em 79, Maradona apareceu, (um ano após Menotti decidir que com 18 anos era cedo demais para jogar o Mundial sénior) em Portugal discutia-se o desaparecimento de Quinito (então grande promessa no FC Porto) que assim falhava o Mundial.

A nossa seleção que vai entrar nos relvados da nova Zelândia já vive numa galáxia muito distante dessa. Também, porém, talvez viva distante de outras mais recentes, as campeãs, nascidas da "oficina de Queiroz" em 89 e 91. A cadeia alimentar entre os sucessivos escalões de formação das seleções está, porém, novamente a reativar-se. É a nota “organizacional do talento” mais positiva. Todo o onze base deste Mundial Sub-20 esteve há um ano no Euro Sub-19.

Nos equilíbrios do 4x3x3, o dilema é compatibilizar no mesmo onze Guzzo, mais criativo a construir e Francisco Ramos, mais rotativo a conduzir. Entre eles, há um 6 claro, Podstawski, e um 10, Rony Lopes, que tem agora oportunidade de dizer até onde o podemos projetar.

Desafio: fazer o que pensa de forma mais rápida e objectiva nas zonas de definição (remate ou último passe). Sente-se que tem isso dentro dele. Estranha-se ver como tantas vezes perde o timing de os fazer. Problema de poder de mudança de velocidade?

simon moses nigeria

“Novos Mundos” com bola

Em cada Mundial jovem o maior enigma está nas seleções africanas. Talento em bruto ainda quase todo nas suas paisagens locais. A Nigéria é quem marca mais o contraste com craques já “europeus”. Sigam Simon Moses, o avançado móvel que explode como extremo. Foi uma revelação no Gent, campeão belga. Está no grupo do Brasil e pode dar o confronto mais atraente da primeira fase.

A arte canarinha já leu, na formação, mais livros tácticos do que as suas velhas estrelas em toda a vida. Não sei se isso é positivo. Conto com Boschilia, médio do São Paulo, para explicar como unir essas duas visões.

Ao contrário do nível sénior, o Mundial sub-20, entre 24 seleções, acolhe os cinco continentes de forma equitativa, desde os clássicos às Ilhas Fiji e Mianmar. Ver futebol com o espírito de descobrir “novos mundos com bola”.