Pode esta Polónia ser mais defensiva?

27 de Junho de 2016

Esta questão do titulo pode ser a melhor forma para pensarmos o que pode ser o jogo de Portugal nos quartos-final. Ou seja, ao contrário do que sucedeu com a Croácia (onde o equilíbrio de forças era claro) iremos defrontar um adversário com a convicção que Portugal é mais forte pelo que o poder estratégico que o onze polaco pode ou não ter no jogo será decisivo.

Na sua identidade, esta Polónia estende-se num 4x4x2 a toda a largura do terreno, com extremos puros (Blaszczykowsky-Grosicki) e dois pontas-de-lança “em cunha” (com Milik um pouco mais atrás de Lewandowski) mantendo, na versão clássica do sistema, dos médios-centro atrás para iniciar a construção “a dois”, com o rotativo Krychowiak como pivot, á frente da defesa, equilibrando e orientado a equipa (com visão táctica e resistência física), ficando o outro médio mais com perfil de nº8 (Maczynski ou a revelação Kapustka). Na linha defensiva, o lateral que sobe mais é, na faixa direita, Piszczek (embora longe dos seus tempos de maior fulgor ofensivo em Dortmund).

Contra adversários que reconhece como mais fortes, a dimensão estratégica polaca, olhando sobretudo também a forma de jogar de Portugal, costuma basear-se em tirar um avançado (um dos extremos) para meter mais um médio.

O 4x4x2 “assimétrico”

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Com menos um extremo e mais um médio, o sistema não passa, porém, para 4x3x3 mas torna-se numa espécie de 4x4x2 assimétrico, fazendo descair Kapustka para uma dessas faixas, fechando em largura ou flectindo e dar maior poder de reequilíbrio e coberturas defensivas em zonas interiores.

Noutras ocasiões, quem baixa no corredor central é Milik, para cair em cima do pivot adversário (ou quem iniciar a construção portuguesa) mas sem ter depois capacidade para, nesse espaço, pensar como médio. Ou seja, Milik faz o “encurtamento” e sai. Se for Kapustka a fazer isso, associa-se logo tacticamente como mais um médio puro a Krychowiack e Maczynski, dando mais consistência sem bola à equipa, permitindo inclusive alargar a marcação para um posicionamento numa linha de quatro (pois simultaneamente o extremo também baixa no outro flanco).

É esse lado estratégico que pode tornar esta Polónia mais forte no momento defensivo, sabendo também depois sair em pressão para recuperar a bola e sair rápida para o contra-ataque. Raramente define uma linha de pressão baixa ou fica só atrás em organização esperando o erro, antes tenta o provocar.

Da dimensão estratégica da Polónia saber travar o jogo de Portugal estará a base táctica deste jogo.