Pode Rooney ser também nº8 no Manchester de Mourinho?

19 de Junho de 2016

Em termos de transformação táctica, é a nota mais relevante deste inicio do Euro. Embora este recuo no terreno não seja totalmente novo para Rooney, que com Ferguson, em Manchester, chegou a jogar como médio partindo de trás, a sua missão no triângulo do 4x4x3 inglês é, nesse contexto, mais revelante. Posicionalmente é um nº8, definição pelo numero/espaço e pela dinâmica de jogo que tem de dar a partir de posições mais recuadas, quase pegando na bola perto de Dier (pivot nº6), deixando Dele Alli subir mais no terreno. Quando tem a bola, Rooney joga essencialmente fazendo virar o flanco, girando o jogo, mas também conduzindo a organização de trás para a frente.

Imaginá-lo, aos 30 anos, a evoluir nessa posição no Manchester de Mourinho é uma questão em aberto, mas que pode fazer sentido para dar um líder táctico claro à equipa (no jogo e no grito), num sector, meio-campo, onde é obrigatório existir essa referência. Tudo dependerá, claro, também dos avançados que o onze tiver, mas cada vez mais se imagina Rooney a recuar no terreno nesta fase da carreira, nas posições entre 8 e 10 moderno, não tanto segundo-avançado, mas mais organizador-lançador recuado, conduzindo a bola/jogo. Neste contexto, este Euro pode significar o nascimento do “Rooney médio puro” para o novo Manchester de Mourinho. Uma diferente forma de vida para quem sabe ver e ler tacticamente o jogo a partir de todas as posições do campo, mesmo as mais distantes. Com técnica e carácter.