Por dentro do campeonato

04 de Abril de 2016

Quando se mexe nos jogadores e nas… posições.

Não é fácil encaixar jogadores novos numa equipa a meio da época e provocar um efeito imediato na sua produção coletiva. O Boavista foi, na sua dimensão, a que melhor conseguiu isso no mercado de inverno e no sector que faz crescer ou encolher as equipas: o meio-campo. As novas peças foram Tahar (que tanto faz duplo-pivot a defender com o “muro” Idris, como salta e faz pressão em cima do adversário que quer sair a jogar) e Ruben Ribeiro (médio-centro ofensivo, sai das zonas de pressão e inventar com bola). Três elementos com traços diferentes que se complementam e aproximando-se uns dos em campo tornam o onze um bloco mais coeso. Subiu de qualidade e de competitividade.

2. O Estoril mete-se na luta pela Europa sem parecer que vai tomar conta dos jogos de inicio. É das equipas com melhor “sistema nervoso central” tacticamente falando. Segura bem o(s) ritmo(s) do jogo. E, na frente, a ideia que parecia ao principio estranha de recuar Bonatini para trás do ponta-de-lança deu-lhe mais e melhor ocupação dos últimos 30 metros porque ele também sabe ser “9 falso” em largura e Mendy não é só o “9 verdadeiro” físico que parece. Usa bem o corpo em todas as jogadas.
Neste contexto global, até Matheus já pode descair sobre a direita e o equilíbrio (e capacidade de criar desequilíbrios no adversário) mantem-se. Viu-se contra o Paços.

3. Gosto de ver mais o Rio Ave com Guedes como ponta-de-lança. Acho que é o melhor nº9 que a equipa pode ter. Tem raça e qualidade de finalização. Não intimida pelo físico mas tem bons movimentos de antecipação que, sem se deixar “amassar” pelos centrais adversários, o fazem entrar bem nos espaços. E é mesmo isso que traduz o seu jogo: “entrar” os espaços e não “aparecer ou estar” neles. Quando coincide o seu momento de entrada com o da bola, o perigo fica sempre perto. O golo ao Moreirense foi o exemplo perfeito.

Estranho sentimento de sentir o “muro” pertocafu

1.Não sei se esgotou o ciclo de Miguel Leal no Moreirense em fazer crescer equipa, mas a verdade é que lhe têm mudado o onze muitas vezes e ele vai conseguindo, sem perder a coerência das suas ideias de jogo, manter a consistência da equipa. Nesta, conseguiu “trabalhar” Palhinha como um bom nº6 e tem as invenções de Iuri na frente mas, no resto dá a ideia que teve de se transformar num “treinador do grito” a cada jogo em vez de ser dos que gosta de ver o modelo rolar porque os gritos ficaram no treino/balneário.
Fico sempre á espera de mais de Fábio Espinho. Nem é para ser o criativo que a equipa não tem, mas para ser autoridade no meio-campo. Sem isso, é mesmo a organização tática que a impede de sofrer mais.

2.A Académica entrou bem em Arouca e a ideia de Rafael Lopes a entrar desde a esquerda (mantendo o 4x2x3x1) meteu “caos” no jogo e colocou a equipa a ganhar. Depois de conseguido o impacto inicial, tinha de ser mais adulta atrás da linha da bola. Saber fechar com o meio-campo e defender bem nas bolas paradas mas não soube “festejar tacticamente” o golo e jogar em cima da boa ideia que lhe dera a vantagem. Uma questão coletiva-defensiva difícil de virar nesta fase final do campeonato.

3. O Vitória é das equipas que corre mais em campo mas das que tem mais dificuldade em por os médios a “falar” com os avançados. Não existe “enganche”. Devia ser Otávio mas as vezes vem buscar o jogo tão atrás que fica muito longe dessa zona de “ultimo passe”.
A definição entre ele e Cafu a nº8 devia ser posicionalmente mais clara nas dinâmicas de jogo. Muitas vezes, Cafu fica perdido sobre onde deve estar (mais atrás ou á frente) e perde o seu melhor sitio no jogo. Atrás, Rossel a nº6 pode sair melhor com a bola mas a equipa “não o vê” (ele baixa e os centrais saem na mesma com a bola e jogam longo). Questão de “falta de dialogo” entre posições (e ligação entre-sectores)