Por que Perdeu o Benfica

18 de Setembro de 2017

Uma bola que parecia inofensiva, a cair perdendo força (sem a ameaça de bater no chão e ganhar trajetória imprevisível) e, de repente, as luvas do guarda-redes parecem dobrar-se, entre a querer agarrar ou socar, e no momento imediato já a vê a saltar dentro da baliza batendo nas redes. Para Bruno Varela, o mundo despenhou-se naquele momento. Luisão apressou-se, como capitão, a levantá-lo. O Benfica perdia no Bessa e as teses tácticas de fundo (para uma equipa e para outra) podiam, depois deste “golpe do jogo”, ganhar mais força.

Jorge Simão trouxera, como todos os novos treinadores, uma excitação anímica que pode ser decisiva mas, inevitavelmente, a equipa tende a jogar mais dentro dos princípios do que deixou o anterior treinador. Esteve nessa base a táctica o plano de jogo só que por baixo dela há sempre as atuações individuais de quem ele depende para ir mais longe ou não.

Assim, da intenção de coberturas defensivas iniciais, o onze axadrezado passou a soltar mais os jogadores que “não sabem jogar mal”: Fábio Espinho e David Simão (que entrou ao intervalo, para iniciar a construção com outra qualidade de visão técnica).

Num ápice, a angustia tomava conta dos jogadores benfiquistas que tinham entrado com um “lança-chamas” em velocidade na direção da ansiedade. Marcaram cedo mas na hora de ir buscar a “memória colectiva de jogo” para segurar o resultado (e o jogo) ela não estava lá. Porquê? Porque, em síntese, a equipa está com bases diferentes no meio-campo.

Que fique claro: Filipe Augusto não está a substituir Fejsa. Nem na eficácia, nem na missão, nem a posição. Com Filipe Augusto o Benfica joga com “dois nº8” recuados (encostados atrás) no espaço posicional do pivot. O outro “nº8” é, claro, Pizzi. Na maior parte do tempo eles jogam de perfil, lado a lado, e a defender são mesmo um duplo-pivot. Depois, em vez de como com Fejsa (que fica fixo a nº6) Pizzi se soltar em condução para a frente, essa tarefa é feita alternadamente por um ou por outro.

Por isso, Rui Vitória elogiava Filipe Augusto após o jogo com o CSKA recorrendo a estatísticas e citava que era dos que tinha... corrido mais, quando o que se exige a um bom nº6 pivot (sobretudo neste 4x4x2 de apenas dois médios) é que seja o jogador que... corra menos, e esteja o mais tempo possível quieto/posicional, no sitio certo, para cortar, tocar “burocraticamente” no inicio da transição ofensiva e equilibrar defensivamente o colectivo nesses processos.

Sem definir nenhuma dessas missões especificamente para cada um dos jogadores, o jogar do Benfica deixa de ter, ao mesmo tempo, o nº6 e nº8 que sempre lhe suportou tacticamente o meio-campo. Elementar.