Porque Jackson falhou no At. Madrid?

04 de Fevereiro de 2016

A questão não é Jackson ter falhado no At. Madrid. A questão é perceber como um grande jogador não rende por não se enquadrar no modelo de jogo duma equipa. Não falo aqui em “não se adaptar”, porque para isso o jogador teria quase de subverter a sua “natureza de estilo de jogo”. A questão é mesmo de choque entre características do jogador-modelo de jogo da equipa.

O At. Madrid é, na essência, uma equipa de “busca de profundidade pura”. Teve uma evolução desde o ano do titulo (onde em vez de pressionar baixava linhas em organização e esticava em ataque rápido) passando, na época passada, a alinhar com uma referencia mais fixa a 9 (Mandzukic) e explorar mais as faixas, para servir esse jogador (diferente de Diego Costa que pede em passada no espaço). O eclodir de Griezman solto na frente de ataque, como o regresso de Torres (e saída de Mandzukic) já anunciavam a ideia de regresso ás origens táticas-base de Simeone.

Mais do que debater o 4x4x2 ou 4x3x3, o sistema preferencial estabilizou mais num 4x1x4x1 (Simeone não quer extremos puros, quer laterais a subir, e assim deixa Carrasco a jogar mais solto) o que condicionou o jogo de Jackson. Sempre que entrou, faltou-lhe relação com a equipa. Quer a que jogava atrás de si, quer a que, em largura, entrava pelos lados.
Ficou a ideia, também, que Simeone nunca teve um plano especifico para resolver esta questão-Jackson. Deixou o jogador crescer por ele, mas raramente quando existe um choque tão claro com o estilo da equipa, tal se resolve sem trabalhar em especificidade esse novo elemento.
Simeone, tal como com Mandzukic, terá receado que um nº9 tão referência, “mal-educasse” a equipa, no sentido de ela, no processo atacante, passasse a procura-lo demais em vez de mover-se em trocas posicionais móveis como gosta. Por isso, a grande estrela do atual At. Madrid é Griezmann. A forma de atacar da equipa é a cara dele.

 

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