Porque jogam muito

09 de Setembro de 2016

Não sei o que se passa dentro do Belenenses, nem detectei ainda qual a ideia de jogo de Júlio Velasquez esta época (tal a ruptura conceptual de estrutura e princípios que se nota com a forma inovadora com que entrou a meio da anterior). Intriga-me ver sair bons jogadores. Depois de Rúben Pinto (um bom “6” quase “8”, intenso com bola) a saída de Carlos Martins.

Sei que nunca foi um jogador fácil ao longo da carreira e que, com lesões a tocá-lo, não garantia toda a época ao mesmo nível. Mas sei, também, que quando joga... joga muito. Vê o jogo mais à frente dos outros, atrás e à frente, tem técnica de passe e remate. Não percebo como “só” isto não chega para ficar com o jogador e resolver qualquer problema. Mas admito que deva ser só o meu desejo de ver sempre em campo os melhores jogadores. Mesmo os irascíveis, mas com mais talento. Como Carlos Martins. O futebol (em certos locais) está mesmo estranho.

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Cresceu com a fama de jogador complicado. No temperamento e na forma de jogar insolente que podia desequilibrar as equipas. Se for este o caso, então o treinador tem é de encontrar uma forma de equilibrar os restantes dez para ele jogar. É Rúben Ribeiro. Falo, claro, desta qualidade aplicada a equipas da classe média porque, aos 29 anos, já fica tarde para dar um salto maior.

Está no Rio Ave. Pedem-lhe para rematar mais (até porque na equipa tem poucos que o façam), mas o que ele tem é de elaborar mais. Ter liberdade nos últimos 30 metros e jogar preferencialmente neles.

Sempre me pareceu um jogador com dificuldade em usar o talento que tem, em saber doseá-lo no jogo. Uma questão de critério que tem a ver com a forma como se cresce: deve-se olhar primeiro para o jogo e para a própria equipa, antes de como faz Rúben Ribeiro em quase todas as jogadas, olhar para o.. adversário. É muito diferente.