Porque muda a cabeça?

18 de Março de 2016

Podia falhar, como acontece a todos, mas a forma como pegou na bola, a acariciou e o olhar fixo na baliza, sem ligar a ninguém, denunciava que isso nem por um instante lhe passava pela cabeça.
É a confiança do marcador antes do penalty. A palavra angústia não faz parte do vocabulário de Josué. E marcou. Forte, colocado para a bola bater na malha lateral das redes (o que faz, na minha concepção, o “penalty indefensável”)
Em segundos tudo mudava em Braga. Poucos antes Nani tivera, deslumbrado, o 1-2 nos pés. Era uma altura em que a confiança não estava nos olhares dos jogadores do Braga. O onze turco parecia imperturbável mas, logo a seguir, um remate que fulminou Topal na área, virou o destino. Com 2-1 e mais um jogador, o onze bracarense recuperou os índices de confiança que pareciam abalados.

No fim, os jogadores confidenciaram que, ao intervalo, Paulo Fonseca lhes pedira
para “continuarem a acreditar, lutar até ao fim”. Então fazer dois golos, da maneira que o jogo estava, parecia improvável. Os jogadores sentiam isso no campo. Por isso, a incidência do treinador no aspecto mental porque, taticamente, este Braga já não tem mais para ouvir.

Não foi, longe disso, o melhor jogo do Braga da época. Foi, no entanto, aquele em que o aspecto mental terá sido mais decisivo. Em diferentes vertentes. Porque nem quando o Fenerbahce estava melhor se sentia que era superior. Os jogadores do Braga é que, então, o achavam superior. Bastou um clique (jogada que muda um jogo) para isso virar. Foi, por isso, o jogo em que o lado mental teve mais influência num jogo do Braga esta época. Das diferentes formas, no receio e na revolta.

Tudo isto mostra como a “quarta força” do nosso futebol podia estar mais perto dos três grandes no campeonato. Porque, em termos de modelo de jogo (inegociável), é das mais sólidas e mecanizadas sem ser... mecânica (no sentido táctico denunciado do termo).
O tamanho dos nossos inimigos é proporcional ao receio que temos deles. No futebol, é muitas vezes assim.. Este Braga não tem “angustia competitiva” pelo que não fazia sentido estar a ser dominada por ela. Aquele lance fez a equipa recuperar a sua consciência. Josué até foi dos chegou há pouco mas já traz essa essência dentro de si. Foi um “jogo-parábola” perfeito de como no futebol as coisas podem mudar tão depressa. Na cabeça e na relva.