Porque William parece decrescer e Adrien crescer

08 de Fevereiro de 2016

No Sporting, esse “melhor momento” leva ao ponto de se dizer que até já nem é necessário ter William Carvalho, ou um nº6, na equipa. É a ilusão mais forte que o desnível do nosso campeonato provocou nos últimos tempos.
Porque William, o seu equilíbrio e jogo de corta e passa são fundamentais para as bases do jogar leonino. Outra coisa é, em jogos concretos, contra adversários fechados atrás, poder prescindir de um médio. Nesse momento, Adrien recua um pouco e assume, num misto de 6 e 8, essa posição, com João Mário resgatando a zona central mais recuada. Era, aliás, o que fez no inicio da época (entrando Aquilani nos jogos mais difíceis).

Dizer que William não cresceu com Jesus como se esperava é verdade em face do que conhecemos do seu valor/potencial, mas é uma constatação natural em face daquilo que Jesus sempre quis teve dessa posição. Nesse lugar-nº6 Jesus nunca quis um jogador de inicio de construção por natureza. Sempre quis um jogador equilibrador defensivo por definição. Por isso, dá tanta importância à questão física nessa posição. William tem esse físico e os conceitos de jogo que Jesus quer que ele exiba (mesmo que prenda outros que poderia exibir).
Assim, neste contexto da fórmula-Jesus (fazendo um paralelo com outras equipas suas) o jogador que cresce mais (nos equilíbrios e, sobretudo, desequilíbrios do seu 4x4x2 quando se “parte” a atacar) é o nº8, o segundo-médio que tem necessariamente de sair mais para o jogo em posse/condução na ligação entre-sectores.
Neste Sporting é Adrien, que se redimensionou nessa posição, tendo o conforto de já ter sido quase 10 no passado. A sua melhoria é, porém, vincada sobretudo na velocidade da tomada (certa) de decisão á medida que avança no terreno e lhe surgem mais jogadores em cima. Nessa altura, decide bem porque todo este seu crescimento nunca foi feito á margem da evolução do jogar da equipa.