Prever o… imprevisto!

29 de Junho de 2012

PLANETA DO EUROPEU (22)

Cada resultado tem muitas explicações mas há sensações futebolísticas universais que apressam conclusões: Se o guarda-redes foi determinante, é porque o resto da equipa não funcionou e foi ele com grandes defesas que a salvou. Se o elemento decisivo foi o ponta-de-lança, com golos, é porque o resto da equipa funcionou e meteu-lhe as bolas no sitio certo. Não é assim tão simples...

A Alemanha das transições rápidas parte para a sua meia-final com a melhor duvida que um treinador pode ter. Quais os três avançados no onze? A questão nasce após, nos quartos-final contra a Grécia, ter trocado os antes sempre titulares Gomes (ponta-de-lança), Muller-Podolski (alas/extremos), por Klose, Reus e Schurrle. O impacto foi devastador. Reus e Schurrle, 22 e 21 anos, a nova geração do futebol germânico, fizeram a equipa voar a atacar, o que, no auge, se traduziu em dois grandes golos.

A maior criatividade do futebol alemão nota-se sobretudo nas alas (no meio há Ozil, mas o passado já detectara tecnicistas como Littbarski, Hassler ou até Mattheus). Agora, também sabe inventar nos flancos enquanto no centro as temporizações de Ozil (pausa a arranque) hipnotizam qualquer adversário. Acho que Low vai voltar à formula inicial, mas os outros também são (sentem-se) titulares mesmo não...jogando de inicio. Do guarda-redes (Neuer) ao ponta-de-lança, a Alemanha tem muitas formas de explicar como se ganha um jogo para além da simplicidade do futebol sensorial que expressei nas duas frases do inicio do texto.

A oferta/diversidade de movimentação táctica é maior na perspectiva ofensiva do que na defensiva. Quanto mais talento tiver a equipa, mais isso se nota. O confronto entre o ataque previsto e o ataque...imprevisível. A Alemanha tem as duas coisas. Mas com tanto talento, tem sempre escondida uma ação...imprevista (movimentos e seus interpretes, onze e banco).

No resto, porque o futebol anda por toda a Europa, o problema é que são cada vez mais os treinadores em busca do previsível (condicionando os jogadores) do que os que aspirar a dominar a...imprevisibilidade. É, sem duvida, muito mais difícil.

A posse "parcial"

Embora muito elogiada e importante na autodeterminação de uma equipa em campo, a posse de bola é apenas um objectivo parcial do jogo. Antes disso, há o momento de recuperação e, no imediato, o momento de reagir à sua perda. Sem estes dois traços fortes, a posse de bola é uma miragem.

Esta Itália de Prandelli será, talvez, das que vi com maior posse de bola das últimas décadas no Calcio. A resposta está na capacidade de pressão que os seus jogadores fazem mal a perdem. E sabem porque o fazem. Ou seja, a pressão não pode ser um mero ato instintivo/reativo. Pelo contrário, tem que ser uma demonstração de inteligência táctica. Está relacionada com organização. Para pressionar bem, uma equipa (cada jogador) deve saber responder ao mesmo tempo a: onde?, como?, quem? ou quais? e quando?

A pressão aplica-se a diferentes (todas) zonas do campo. Dos laterais (Abate-Balzaretti) aos médios (De Rossi-Marchisio e/ou Motta) aos avançados (o louco Balotelli), esta Itália é um manual de pressão com ordem. Depois? Entreguem a bola a Pirlo. E a percentagem de posse parcial terá sempre superioridade moral em campo.