Quando quatro parecem jogar de mãos dadas

25 de Janeiro de 2016

Preparar um jogo quase em contra-sistema não é fácil. Para as ditas equipas de “segunda linha” do nosso campeonato, isso é inevitável sempre que defrontam um grande. Nesta jornada, sucedeu com Paços Ferreira, Arouca e Marítimo.
O plano menos conseguido, menos “problemático”, foi onde se esperava mais, o do Paços. Sem o médio-centro ofensivo titular, Andrezinho, base do seu modelo e estrutura, Jorge Simão procurou resgatar Jota (que tinha sempre com ele jogada na ala) para essa posição.

Em campo, o 4x2x3x1 mantinha-se mas com o rigor posicional mais pregado na cabeça dos jogadores criou uma distância excessiva entre as duas linhas, a do duplo-pivot Romeu-Pelé e do 10 Jota, por onde o catedrático meio-campo leonino da “posse, condução e passe” passeou táctico-tecnicamente o seu futebol: William-Adrian-João Mário-Ruiz parece que jogam presos por cordas ou de mãos dadas.
Na segunda parte, Simão tentou meter um terceiro médio no meio-campo (Christian, passando Jota para a faixa) mas o problema já estava instalado. Talvez se fizesse um triângulo no sector conseguisse melhor (ou, pelo menos, maior) ocupação do espaço, mas deu a ideia que durante a semana tinha ensaiado sobretudo a primeira versão em que apostou.
Mais uma vez, numa demonstração que surge sobretudo nos jogos “fora”, o Sporting de Jesus nunca perdeu a noção de bloco. O facto de Jesus renunciar à velha noção de “equipa partida” para atacar dá mais segurança tática à equipa noutros momentos do jogo. Se, com bola, Adrien é, de facto quem “leva a equipa para a frente” (sobretudo em face do jogo cada vez mais posicional e curto de William, como Jesus quer), é João Mário que, depois, vindo da faixa, pega no jogo no meio.
E reparem que escrevi “pega no jogo”, e não “pega na bola” (embora isso também suceda). A diferença é “mecânica”: se Adrien é o “motor”, João Mário é a “caixa de velocidades” .