Quero os números nas camisolas de volta

22 de Agosto de 2014

O efeito de uma finta de um jogador ou duma boa jogada neste período de todas as esperanças faz disparar as análises.

No Benfica, quase ganhando bolas impossíveis com pernas de alicate e técnica, é quem melhor espelha a encruzilhada de duvidas em que caiu um onze que ganhava tudo e hoje entrou em desintegração. Talisca. Resta, na “nota artística" com produtividade, o aroma de Gaitan e, atrás, o motor de Enzo. Mas o mercado-Adamastor continua aberto.

Ver jogar a equipa hoje é resgatar outra vez mais um exercício que se tem feito no Benfica nas ultimas épocas. Por isso cito Talisca como jogador símbolo desta sua pré-época. Porque a pergunta repete-se com elemento laboratorial novo. Fará Jesus de Talisca jogador? (no sentido competitivamente europeu). Porque a qualidade está lá. Mas o futebol, na passagem das paisagens (e continentes) muda de forma. Também mudam as identidades. O “alicate” Talisca não é para jogar nas costas do ponta-de-lança. Tem “cultura de 8”.

Esta forma de definir jogadores por números causa impressão a muitos. Não percebo. Porque não existe no futebol forma mais antiga de definir jogadores (na equipa e no campo). E que saudades de ver equipas de um a onze. Isso sim, eram estatutos que se ganhavam na equipa e depois para tirar aquela camisola só à força.

Fugi ao tema mas acho que voltei a encontrar-me com ele numa simples palavra que está no meio do texto. Estatuto. O jogador ganhá-lo dentro da equipa no arranque da sua construção colectiva não é fácil. Depende dele, claro, do seu valor, entorno táctico-colectivo, e treinador, sua sensibilidade e bom-senso.

Talisca busca esse reconhecimento numa fase em que os jogadores parecem, em campo, lutar mais por um lugar, do que jogar por uma ideia de jogo.
Pelos mesmos territórios (as terras do 8) outro jogador encontrou a chave para abrir essa porta. Já estou agora noutro relvado. O jogador com orelhas de aviador está a começar a voar: Herrera. O FC Porto muda de treinador, de sistema, de modelo, mas o que pode fazer mesmo mudar as coisas é um jogador, de repente (ou num processo evolutivo respeitando o principio das propensões) descobrir a identidade do “novo futebol” onde vive e tem de respirar.

Quero os números nas camisolas de voltaGosto daquele tipo de jogador que sai desde trás e parece que vai chocar com o médio-defensivo adversário mas que... não choca. Herrera tem isso. Talisca pode ter. E ficam com a bola.

Falar das equipas no conjunto é, neste momento falar em cima de um exército de dúvidas. Porque não sabemos a matéria de que vão verdadeiramente ser feitas. Apenas essências individuais.

Para algum jogador ser importante dentro de uma equipa tem de primeiro entender-se bem com o seu jogo. E com a bola, claro. Jesus e Lopetegui ainda vivem distantes. Mas os clássicos nunca mudam,. No arranque, mostrar as qualidades e esconder os defeitos. No futuro, o desafio é ter a equipa o maior tempo do jogo possível no primeiro estado.

DESTAQUE:
Herrera e Talisca. O renascer e a transformação. Histórias dentro da 1ªjornada