REAL MADRID

28 de Dezembro de 1998

Como os búzios trazem dentro de si o ruído do mar, há equipas e jogadores que pintados a preto e branco moram na nossa memória com a eterna dimensão dos mitos. São gigantes eternos. O Real Madrid dos anos 50, obra de Santiago Bernabéu, no gabinete, e de Di Stefano, no relvado, atravessou o tempo e moldou para sempre a imagem gloriosa do “monstro branco” espanhol.

A meio do século, com a sombra de duas guerras nas costas da humanidade, o futebol ainda vivia uma época de profunda timidez. Cada pais vivia imóvel nas suas fronteiras e as referências ao que se passava noutras nações, onde dizia-se morarem jogadores fabulosos, eram sempre envoltas num clima de mistério e grande curiosidade. Um desses monstros que se diziam habitar o “novo mundo” era o argentino Di Stefano, descendente de imigrantes italianos, que nas pampas brilhava com a camisola do River Plate. O perfume e a fama da sua fantasia foi o motivo que o levou, em 49, a partir rumo ao clube colombiano Milionários de Bogotá, seguindo muitos outros argentinos já a jogar na Colômbia. Tratava-se porém de uma situação não reconhecida pela FIFA que dizia estarem esses jogadores em situação irregular pois haviam rescindindo unilateralmente os seus anteriores contratos com as equipas argentinas. Era o caso de Di Stefano. Nessa altura o Real Madrid comemorava o seu cinquentenário. Para tal organizou um torneio internacional convidando o Milionários de Bogotá que segundo constava tinha uma equipa fantástica, o Bailado Azul. Foi então que perante o sábio público madrileno os Milionários deram um festival de futebol.

Nessa tarde, Di Stefano esteve endiabrado. Fez dois golos e comandou toda a equipa. Um maestro com uma varinha mágica, cada vez que tocava na bola parecia que tudo á sua volta ficava suspenso, hipnotizado pela sua técnica, velocidade e visão de jogo. Nunca na Europa tinha sido visto algo parecido. Don Santiago, deslumbrado, não hesitou. Esses “músicos colombianos” tinham-lhe estragado a festa mas naquela altura já só tinha uma ideia na cabeça: “Quiero el rúbio! Quiero que me fichem el rúbio!” Também o Barcelona se interessou por ele, tentando negociar com o River Plate o único clube com quem segundo a FIFA o jogador tinha contrato. Ao invés, o Real Madrid contactou o Milionários. Estava a situação num impasse quando a Federação Espanhola teve de decidir. Di Stefano ia para o Barça ou para o Real, qual seria o acordo válido? A decisão foi o mais salomónica possível. O contrato era de cinco anos, Di Stefano iria cumprir alternadamente um ano em cada clube! Revoltado e decepcionado com essa decisão, o Barcelona, por quem o jogador já tinha feito três jogos, decidiu desistir do jogador que assim pode rumar para a casa branca onde Santiago Bernabéu o esperava de braços abertos.

REAL MADRIDA primeira época de Di Stefano no Real Madrid foi em 53/54, desde logo marcada pela conquista do titulo espanhol, o que já não sucedia há 20 anos, desde 33. É curioso notar que quando chegou a era dourada dos anos 50, o Real Madrid não tinha atrás de si um grande historial. Até chegar Di Stefano só tinham vencido duas Ligas. Fundado em 1902 por um grupo de dissidentes do Madrid Football Sky, a primeiro team de futebol da cidade, nasceu com o nome de Sociedade Madrid Fottball Club, até que em 1920 o Rei Afonso XIII lhe decidiu atribuir o titulo de Real, passando a figurar no topo do seu emblema a coroa real, acompanhada das iniciais MCF, Madrid Club de Futbol.. É desse tempo que nasce o mito de que os merengues são o clube do Rei, o clube do Estado que, no fundo, representa e usufrui das benesses do poder. Uma imagem que perdura até hoje, depois de atravessar a ditadura de Franco, ratio da revolta do Barcelona, sublimação épica do povo catalão, contra-poder do secular centralismo de Castela e Madrid.

A EUROPA PINTADA DE BRANCO

A Taça dos Campeões rompeu e fronteiras e mudou para sempre o cenário futebolístico do “Velho Continente”. No seu inicio, cada jogo era um mistério para cada equipa. Quando a 25 de Dezembro de 1955, o Real recebeu o Partizan ninguém fazia ideia de quem era o seu treinador e como jogavam os seus futebolistas. O 4-0 do primeiro jogo parecia decidir a eliminatória. O jogo da segunda mão em Belgrado representou o primeiro grande desafio europeu “fora de portas” do Real Madrid. Sob um espesso manto de neve com altura de vinte centímetros que cobria todo o relvado os jogadores espanhóis cedo tomaram conhecimento com os virtuosos jogadores eslavos, uma semana antes pouco mais que fantasmas errantes no césped de Chamartin que nesse mesmo ano iria passar a ostentar o nome do homem que mudou a ideia de que o Real tinha um grande estádio e uma pequena equipa, Santiago Bernabéu, nome que muito justamente perdura até os nossos dias onde. Enregelados os jogadores madrilenos mal se conseguiam manter de pé, escorregavam, caiam e viam atónitos como os jugoslavos passavam por eles. Um inicio avassalador donde Gento retêm a imagem “dos remates á madeira que faziam cair a neve que cobria os postes da nossa baliza”. Cedo o Partizan fez 1-0. Até ao fim fariam mais dois golos, o último de penalty a quatro minutos do fim. Foi um sufoco, mas no final o Real aguentaria a pressão. Esgotados, os jogadores madrilenos abandonavam o campo. Furioso, Di Stefano vociferava contra Rial, o uruguaio da equipa. Com o marcador em 1-0 o Real beneficiara de um penalty, mal assinalado pelo árbitro suíço Gueld e o homem chamado a marcar fora, como sempre, Rial. Estranhamente, na hora do remate, todos ficaram estupefactos quando o viram a caminhar para a bola aos saltos, parecia dançar, para manter o equilíbrio sob a neve e o gelo. Na hora do pontapé, escorregou e a rematou a bola por cima da barra. Di Stefano não entendia porque não chutara, como sempre, raso: “Mira viejo, disse Rial, nos treinos, a Alonso, marquei 25 penaltys seguidos, todos rente á relva. Não falhei um. Aqui quis variar para que o guarda redes não adivinha-se a minha intenção”. Aquela derrota por 3-0 fora, afinal, a sua primeira vitória europeia longe dos portões de Chamartin

Para honrar a iniciativa francesa de organizar a primeira grande competição europeia entre clubes, a final disputou-se em Paris, no Parque dos Príncipes. Do outro lado estava o Stade Reims campeão gaulês, onde jogava Hidalgo, mais tarde seleccionador francês Raymond Kopa, o pequeno napoleão que já se sabia ter assinado pelo Real Madrid para as três épocas seguintes, o que por si só logo criou um ambiente tenso em torno do jogo. Foi uma final dramática. O Stade Reims chegou com facilidade a 2-0. Antes do intervalo, porém, Di Stefano e Rial restabeleceram o empate, mas Hidalgo não tardaria a fazer o 3-2. O Real parecia abalado. A jogar no seu ambiente, os franceses pareciam donos de um glamour inquebrantável. Foi quando o herói madrileno dessa tarde noite: o defesa, Marquitos. Parecia ter o diabo no corpo. Corria á frente e atrás de tal forma que deixava colegas e adversários tontos de o ver ir e voltar com tanta velocidade. Naquele tempo não era habitual os defesas subir no terreno e intrometerem-se nas manobras ofensivas. Numa dessas jogadas e com os colegas a gritar-lhe “donde vás? quédate atrás!” fez, na sequência de uma jogada de ressaltos, o empate. Pouco depois, mais confiante, Gento apresentou-se ao mundo como o extremo que ainda hoje é a referência máxima para os que no presente ocupam esse posto. Corrida vertiginosa até á linha de fundo, centro atrasado e remate de Rial. Golo! O Real Madrid era campeão da Europa. A lenda apenas acabara de começar. Era um tempo em que a televisão ainda estava em embrião. Em vez de câmaras existiam arcaicas máquinas de filmar. Conta-se então que muitos jogadores passaram a ir ao cinema várias vezes. Não para ver o filme, mas para assistir ao documentário que precedia a exibição daquele, em que era usual projectar-se no celulóide as noticias do mundo onde naturalmente surgia um pequeno resumo da mágica noite de Paris.

A segunda edição da Taça dos Campeões já contou com o representante inglês: o Manchester United. Vivia-se o tempo em que o mundo do futebol alucinava com o futebol austríeco, que já longe dos tempos do “wunderteam”, ainda transportava a mesma aura sobrenatural. Assim, para muitos a final sucedeu na ronda inaugural, quando se enfrentou o poderoso Rapid Viena. O primeiro jogo foi em Madrid. Era a esteia de Kopa e o Real venceu 4-2. Todos temiam agora o inferno do Pratter. Em Viena, tudo começou mal para os merengues. Logo no inicio Dients entrou em voo rasante sobre Oliva e estilhaçou-lhe o joelho. Era um tempo onde não haviam substituições. Uma terrível situação que ainda perduraria mais alguns anos. O Real era obrigado assim a jogar com apenas dez homens. Entre os aústriecos emergia então um pequeno monstro com olhos de coruja chamado Ernst Happel, hoje um mito do futebol das valsas, ao ponto do velho Pratter ter agora o seu nome em homenagem ao muito que fez pelo futebol do seu pais. O primeiro tempo foi um passeio que findou com o resultado de 3-0, com dois golos do terrível Happel. Desalentado, Santiago Bernabéu desceu ao balneário branco para, revoltado, repreender os seus homens. Aquilo a que estava assistir era uma vergonha, não era digno do emblema do Real. O efeito de tais palavras foi tal que ninguém teve coragem de contra argumentar com o facto estar a jogar com menos um, que o Rapid era uma grande equipa ou que Alonso fracturara um dedo, mas que apesar das dores horríveis se mantinha corajosamente em campo. Houve alguém que disse que os austriecos eram muito duros ao que Don Santiago ripostou que, sendo assim, que pagassem na mesma moeda. No segundo tempo o vendaval austrieco acalmou e Di Stefano fez o golo que forçou o terceiro jogo, segundo os regulamentos da época. Graças ás influências de bastidores do director Raimundo Saporta, que deu-se conta das dificuldades financeiras que os vienenses atravessavam, falou com eles, negociou e o desempate disputou-se em... Madrid. Então, o domínio merengue foi claro, vencendo por 2-0, como golos de Kopa e Joselito, num jogo demasiado duro e cheio de picardias em que Happel, sentindo-se impotente para travar o furacão branco acabou por perder a cabeça e ser expulso.

Depois de vencer o temível Rapid já ninguém em Madrid admitia não voltar a ser rei da Europa. No caminho até á final, o Real ainda encontrou na meia final o Manchester United onde Matt Busby formava os seus “busby babes”, oito dos quais morreriam no ano seguinte no terrível acidente aéreo de Munique. Nunca uma equipa espanhola defrontara um conjunto britânico. A superioridade madrilena foi incontestável (3-1 e 2-2). Uma lição de futebol dada aos mestres ingleses, deslumbrados sobretudo Gento. O supersónico extremo branco a quem um jornalista sul americano jura ter contado seis pernas e quatro braços. Em Old Trafford, o marcador do furacão da cantábria, nome que celebrizou Gento em homenagem ás suas origens, foi o lateral Foulkes. No final, depois de o felicitar, disse, em numa frase onde residia o segredo do seu vertiginoso estilo: “o que mais impressionou não foi a sua enorme velocidade, mas a forma como travava. Parava de forma imprevisível, mudava de ritmo e voltava a correr. Incrível!” A final, em Chamartin, foi contra a Fiorentina do brasileiro Julinho. Os italianos, tacticamente perfeitos e sempre senhores do seu nariz, seguraram o nulo até 22 minutos do fim quando Di Stefano, quem havia de ser, e Gento marcaram os dois golos da segunda vitória europeia do Real Madrid.

REAL MADRID2Quando chegou a época de 57/58 já ninguém podia parar a máquina madrilena. A época começou com a substituição do treinador que havia conquistado as duas edições anteriores: José Villalonga. Para o seu lugar entrava Juan Ipiña, embora fosse ao argentino Luis Carniglia que pertencia a direcção efectiva da equipa. Durante o caminho para a final um episódio que, aparentando na altura pouca importância, ganhou mais tarde grande significado. O jogo com o Vasas de Budapeste para a meia-final tinha terminado há minutos. A superioridade do Real fora incontestável (2-0 e 4-0). No balneário, enquanto os jogadores brancos festejavam, entrou Csordas, estrela dos húngaros, que depois de felicitar a todos pelo triunfo disse o Real Madrid era formidável, mas que o Honved era superior e que, desde logo, Puskas era melhor que Di Stefano. No ano seguinte, Don Santiago não se preocupou muito em resolver a questão de quem era efectivamente o melhor e pouco meses depois Puskas assinava pelo... Real Madrid. Reza a história porém que Bernabéu hesitou muito antes de contratar o jogador que cumpria um castigo de dois anos imposto pela FIFA por fugir ao contrato com o Honved. Valeu na altura que o secretário técnico do Real era o húngaro Osterreicher, antigo dirigente do Honved, que o convenceu. Puskas, apesar de já ter 30 anos, continuava a ser um grande jogador capaz de fazer muitos golos ainda durante alguns bons anos. Di Stefano e Puskas não eram, porém, jogadores muito diferentes. Tinham ambos a mesma velocidade, o mesmo remate potente e a mesma técnica apurada. O húngaro tinha o pé esquerdo mais aterrador do futebol europeu, mas o argentino era, no entanto, um verdadeiro maestro, capaz de na mesma equipa ser, ao mesmo tempo, o melhor defesa, o melhor médio e o melhor avançado.

Em Bruxelas, no jogo da épica final perante o Milan de Liedholm e Schiaffino, saltou, por entre a classe dos jogadores madrilenos, a tradicional fúria que celebrizara o estilo do futebol espanhol que travou a picardia táctica e a atitude matreira dos transalpinos. O jogo findou 2-2. No prolongamento, com os jogadores esgotados emergiu a inesgotável velocidade de Gento que logo no inicio fez o decisivo golo da vitória. Em 58/59 a final voltou a disputar-se contra o Stade Reims. Pelos franceses jogava Fontaine. Nos merengue jogava uma velha glória do Reims, por quem jogara a final de há 3 anos atrás, Kopa. Os franceses não tinham perdoado a “traição”. Foi marcado em cima, por todo o lado com uma dureza tremanda. Foi quando, depois de ter falhado dois golos feitos, Vincent teve uma entrada a varrer que o deixou inutilizado para o resto do jogo, o qual passou ainda em campo, coxeando. No ano seguinte, Kopa regressaria ao Reims, mas não sem antes levantar a quarta Taça da Europa do Real, após uma tranquila vitória por 2-0.

Na rota para a Quinta Taça Europeia consecutiva surgiu no caminho o Barcelona do polémico Helénio Herrera, que reunira no seu onze os magiares Kubala, Kocsis e Czibor e a grande promessa espanhola Luisito Suarez. O Real, já sem Kopa, reforçara-se com o extremo Chus Herrera, o brasileiro Canário, o lutador Del Sol, vindo do Bétis, para além da grande estrela brasileira, Didi que no entanto nunca conseguiu estar ao nível do seu enorme prestigio, diz-se devido a invejas de Di Stefano que nunca vira com bons olhos a sua inclusão na equipa, ao ponto de Didi nunca ter jogado nos jogos europeus. O Real Madrid, sempre superior, venceu os dois jogos por 3-1, ficando para a história a polémica desencadeada pelos jogadores do Barça poucos dias antes do jogo, descontentes com os prémios de vitória que a direcção oferecia. Foi o célebre “Motim de Berzasa”. Um clima e uma derrota que ditou a saída de Herrera para o Inter, levando consigo Suarez. Altivo e demolidor o Real seguiu o seu caminho. Em Glasgow, a 18 de Maio de 1960, o Real Madrid batia o Eintracht Frankfurt por 7-3 culminando um assombroso ciclo de cinco anos. Um recital de bom futebol interpretado por uma equipa de sonho, desenhado por quatro golos do “major galopante” Puskas e três da “sieta rúbia” Di Stefano.

ANOS 60: A GERAÇÃO «YÉ-YÉ»

Em Novembro de 1960 o Real Madrid era pela primeira vez eliminado da Europa desde a criação da Taça dos Campeões. Ironicamente, o carrasco foi o Barcelona. No mesmo ano Muñoz que durante dez anos jogara pelo clube era eleito como o novo treinador com a missão de fazer a transição entre os dourados anos 50 e a nova década de 60. Entrava em cena a segunda geração da fantasia madrilena. Em 64, depois de no ano anterior ter sucumbido perante o Benfica de Eusébio, o Real chegava, contra o Inter de Herrera, pela sétima vez á final da Taça dos Campeões. A equipa que entrou em campo nessa noite era, porém, a perfeita imagem da encruzilhada histórica em que o Real se encontrava. Duas gerações se cruzavam, a dos heróis veteranos, onde ainda jogavam Santamaria e Puskas, com 37 anos e Di Stefano, com 38, e a das jovens promessas como Amancio, Pirri e Velásquez. Superior, o Inter venceu por 3-1. Era a vingança de Herrera. Muñoz sentiu que a equipa já não podia girar á volta de Di Stefano e disse-o a Santiago Bernabeú. Era tempo da sieta rúbia abandonar o Real. Um jogador pode ter lugar na história e já não ter lugar na primeira equipa. Dono do seu nariz, Di Stefano não apreciou a ideia. Que, não senhor, ainda podia continuar a jogar. Orgulhoso, ingressou no Espanhol, mas nunca mais voltou a brilhar. No ano seguinte abandonou o futebol.

REAL MADRID4Quando em 66 o Real venceu a sexta Taça europeia apenas Santamaria, Puskas e Gento eram os únicos sobreviventes do mítico onze dos anos 50. Puskas só alinhava em alguns jogos mas só o seu nome ainda causava medo e apreensão nos adversários. Consciente disso Muñoz passou a utilizar esta arma. Quando, na meia final o Inter voltou a surgir no caminho do Real, Munõz, antes do segunda jogo, depois da vitória 1-0 na primeira mão, disse ser possível Puskas, que com 39 anos só jogara os jogos da primeira ronda contra o Feyenord onde fez cinco golos!, jogar em S. Siro. Foi uma bomba. Herrera, provocador, logo respondeu que ganharia sem problemas e que o Real ia encontrar um inferno. No final, um golo de Amancio, o galego imprevisível, silenciaria Herrera e os loucos “tiffosis” e colocou o Real na final de Bruxelas, onde a história celebrizou a equipa “yé-yé”, nome que proveio do facto de dias antes toda a equipa ter tirado uma foto com uma peruca imitando os Beatles. O golo da vitória sobre o Partizan foi de novo obra de Amancio mas nesse dia os olhares estavam no único jogador que, vindo dos anos 50, tinha alinhado em todos os jogos que levaram á conquista de seis Taças dos Campeões: Paco Gento, então com 33 anos. Um dos maiores símbolos da história do Real Madrid onde permaneceu 18 épocas (53/54 a 70/71).

O REGRESSO AO TITULO EUROPEU, 32 ANOS DEPOIS

Munõz esteve 14 anos no banco do Real. Saiu em 74,vitima dos resultados, sendo substituído por Molowny, um homem da mesma escola. Em 84 Di Stefano regressou ao Real Madrid como treinador. Não atingiu o titulo mas num Domingo, em Cádiz, tomou uma decisão que iria ditar o futuro da equipa para a próxima década, quando, no decorrer de um jogo que o Real perdia, olhou para o banco e disse a um menino franzino, de olhos azuis claros e cabelo louro: “Aquece chaval que vais entrar!”. O miúdo era Butragueño que nesse dia se estreou na primeira equipa fazendo os dois golos que viraram o resultado. Com ele nasceu a Quinta del Buitre, nome que definia uma geração de jogadores, onde também figuravam Michel, Martin Vasquez, Chendo e Sanchis, iluminada ainda pelos golos de Hugo Sanchez, o acrobata mexicano goleador. Apesar da sua categoria esta geração foi, porém, incapaz de reconquistar a Taça dos Campeões para Madrid. A epopeia europeia só voltaria a ser repetida 32 anos depois. Na equipa que em 66 vencera pela última vez a mítica Copa da Europa jogava então sempre com as meias caídas em baixo um jovem defesa esquerdo chamado Sanchis. Ninguém imaginava que nesse mesmo dia o jogador que três décadas depois voltaria a erguer a mítica Taça estava a aprender a andar no corredor de sua casa. Era o seu filho com o mesmo nome, Manolo Sanchis, o homem que em Maio de 98 a voltou a abraçar e trazer para a sua primeira casa: a casa de Santiago Bernabéu, o homem que um dia inventou um gigante chamado Real Madrid. Em nome dos amantes do belo futebol, Muchas Gracias!

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Durante todo o seu reinado, o Real Madrid manteve sempre o mesmo sistema 3x2x5, com três defesas, dois "volantes" e cinco homens mais avançados. Gento atravessou os dez anos ao mesmo nível. Kopa esteve em três vitórias (57, 58 e 59). Di Stefano foi o maestro dos cinco triunfos nos anos 50 e saiu do Real em 63. Puskas, que chegou em 58, ainda estava no plantel em 66, embora quase sem jogar.

TRÊS ONZES PARA A HISTÓRIA