RIVER PLATE

04 de Dezembro de 2000

Um clube que é um refúgio de lendas, velho caminhante do fútbol sul americano, lenda da Argentina, por onde passaram, ao longo dos tempos, futebolistas e mitos como Bernabé Ferreira, o morteiro, passando pela La Máquina composta por Munoz, Labruna, Moreno, Pedernera e Losteau, até Di Stefano, Carrizo, Passarela, Ramon Diaz, Francescoli...

Fundado em 25 de Maio de 1901
Onde Joga: Estádio Monumental de Nuñez
Campeão Argentino: 1920, 1932, 1936, 1937, 1941, 1942, 1945, 1947, 1952, 1953, 1955, 1956, 1957; 1975, 1977, 1989 e 1980 (Metropolitano), 1986, 1990, 1991 (Apertura), 1993 (Apertura), 1994 (Apertura), 1996 (Apertura), 1997 (Clausura), 1997 (Apertura).
Copa Libertadores: 1986 e 1996
SuperCopa dos Libertadores: 1997
Taça Intercontinental: 1986

RIVER PLATETudo começou no final do SécXIX. Junto ao cais, na sombra de navios e fumos escuros saídos das chaminés de fábricas, um bando de europeus ruivos e corados de tanto correr aos pontapés a uma bola, despertavam a curiosidade dos pibes gaúchos que assistiam incrédulos. - Quem são?- perguntou um miúdo - Loucos –respondeu-lhe o padre da paróquia- Ingleses loucos, concretizou. Este episódio, contado pelo velho jornalista Juan José Relly, descreve esplendorosamente os primeiros tempos do futebol na Argentina, onde, desde cedo, o futebol seduziu os porteños, como se chamam os habitantes de Buenos Aires, que, após ganhar coragem, também logo o começaram a jogar nos famosos potreros, os campos baldios que existiam nos bairros. Em pouco tempo, começaram os duelos entre potreros e vizinhos. Por essa remota época, as duas maiores equipas da zona do porto, eram o Rosales e o Santa Rosa, até que, como os adversários eram cada vez mais duros, resolveram fundir-se num clube só, por impulso de Isidoro Kitzler, um dos pai do fútbol argentino. Sugeriram-se vários nomes e quando parecia que o eleito seria o de Forward, surgiu Pedro Martinez a sugerir um nome que há dias vira escrito num caixote de madeira que um marinheiro inglês colocara encostado a um canto, em busca de espaço para jogar foot-ball: River Plate! Nunca ninguém soube o que estaria dentro desse caixote, mas, o facto é que, após acesas discussões que se prolongaram durante dias, ele seria, em 1901, o nome escolhido para dar vida a um novo e ambicioso clube: o Club Atlético River Plate, cujas raízes, afinal, são as mesmas do Boca Juniors, seu rival nas margens do Riachuelo. Depois, com o tempo, o River deslocou-se para um bairro de classe alta, na zona sul, tornado-se o preferido das elites endinheiradas, ganhando a alcunha de Milionários, enquanto o Boca permaneceu fiel ás suas raízes como o clube pobre e do povo. A rivalidade entre os dois transformou-se, assim, num confronto desportivo e social, capaz de enlouquecer toda a cidade nos quentes dias de derby. Depois dos primórdios jogos na modesta canchita da Dársena Sur, o River subira a 1ª Divisão argentina em 1908, ficando logo no ano seguinte, em segundo lugar, atrás do Alumni, o grande clube argentino dos anos 10. O seu primeiro título surgiria em 1920, após ter sido um dos corajosos clubes dissidentes da Associación Argentina, controlada por ingleses, e fundadores depois da Associación de Amateurs, que em 1934, iria dar origem á Asociación del Fútbol Argentino, AFA, até hoje regente do futebol das pampas. Ao longo do século, o Ríver tornou-se uma lenda do fútbol argentino, mas para tal, ninguém pode esquecer o contributo dos heróis dos anos 10 e 20, como Crotti, Choperena, Giúdice, Simons, Garcia, Etchenique, Arrotyuelo, Galazino, Laiolo, Rofrano e Chavin.

BERNABÉ FERREIRA

RIVER PLATE1O primeiro grande mito do futebol do River, goleador dos anos 30, conhecido como o morteiro, devido ao seu forte pontapé. Conta-se que um dia teve de tirar as botas em frente dos jornalistas para provar que não escondia nas suas pontas nenhuma barra de ferro. Destacou-se no Tigre, e, em 1932, foi o primeiro profissional do futebol argentino, quando, após a introdução do profissionalismo na Argentina, fez com o River Plate, um contrato fabuloso onde ganharia 45 mil pesos. Logo na época de estreia, em 32-33, fez 43 golos. Viveu num tempo em que se marcavam muitos golos no futebol argentino. Entre Setembro de 36 e Abril de 38 não houve nenhum empate a 0-0 nos jogos da !ª Divisão. No total fez 187 golos pelo River, onde actuou entre 1932 e 1939, altura em que se retirou dos relvados, com 30 anos, para regressar á sua terrinha, Rufino. Alinhou apenas 4 vezes pela selecção argentina e em 1943 regressou para tornar-se director do River Plate.

LA MÁQUINA

Nenhuma linha atacante se tornou tão lendária como a famosa Máquina do River nos anos 40. A sua formação mais célebre, juntava Muñoz, Labruna, Moreno, Pedernera e Losteau, mas por ela também passaram Deambrossi e Gallo. Desse mítico quinteto avançado ficaram registos de um futebol de outro mundo, onde Labruna era um ponta de lança incrível, Os homens que lhe davam mais golos a marcar, eram Pedernera e Moreno, cada qual com um estilo próprio. Pedernera era o cérebro do onze, dotado de uma técnica com requintes de malvadez. El Charro Moreno, forte e resistente, era um jogador completo, que sabia sempre quando fintar ou passar. Os adeptos adoravam-no, apesar da sua vida boémia. Todos sabiam que aos sábados ele ficava a pé até de madrugada. Era visto dançando pelos bares, fumando e jogando cartas, até que, muitas vezes com o dia a nascer, olhava para as horas e dizia que tinha de se ir preparar para jogar á tarde. Comia então uma sopa de galinha bem quente, vestia a camisola, entrava em campo e jogava como um pequeno Deus. Muñoz e Loustau eram os extremos, muito velozes, que procuravam a linha de fundo como um rato buscava um pedaço de queijo. Os seus cruzamentos eram precisos, porque ambos dominavam o segredo dos grandes extremos: saber quando travar e executar de imediato o centro. Eram um grupo divinal que jogava de memória e com os olhos fechados. Moreno e Losteau. Por exemplo comunicavam um com o outro em campo através de assobios, que era um código para saber quando passar ou trocar a bola. Para a eternidade, estes cinco homens que fizeram a lenda da Máquina, mas, na verdade, como um dia confessou Pedernera, a equipa era mais do que os avançados. Mais atrás estavam Bagui, Ramos, Rodolfi, Iacono, Rodriguez e Luiz Ferreira, tudo grandes jogadores. Com La Maquina, o River ganhou os campeonatos de 41, 42 e 43, mas para fazer justiça á história, o quinteto que a tornou famosa só alinhou junto, de 43 a 46, durante 17 jogos! A sua aura divina atingiu, porém, dimensões incríveis. O seu último jogo, foi a 17 de Novembro de 46, contra o Húracan. Nesse dia, Labruna fez a sua derradeira aparição com a camisola do Ríver. Depois, pouco a pouco, as outras peças da Máquina foram sendo desmontadas. Pedernera, no mesmo ano, Moreno em 48, Muñoz em 51, Losteau em 58 e Labruna em 59. A sua lenda, no entanto, viveria para sempre.

COMO SE FORMOU A MÁQUINA

RIVER PLATE3Corria o ano de 1933, quando o River Plate decidiu criar uma quarta equipa para formar jovens jogadores, que eram contratados a equipas pequenas. O objectivo era formar jogadores para depois lançar na primeira equipa. Assim, desse grupo de jovens, saia, logo em 1935, José Manuel Moreno, Aristóbulo Deambrossi e Adolfo Pedernera. O mágico futebol desses pibes levaria o River ao bi campeonato de 36 e 37. No entanto, com a despedida dos relvados, em 38 e 39, de mitos como Bernabé Ferreyra e Carlos Peucelle, o River tinha de continuar, de lanterna em punho, em busca de quem os pudesse substituir. Em 39, surgem Ángel Labruna e Juan Carlos Muñoz, mas continua sem se descobrir um sucessor para Ferreyra. No seu lugar jogava D`Alessandro, mas, apesar de esforçado, nem uma sombra era do seu antrcessor. Sucedeu então que, em 1941, com D`Alessando lesionado, o técnico Renato Cesarini colocou Pedernera, antes extremo esquerdo, como avançado centro e o Ríver ganhou 2-1, com um golo da vitória a ser marcado por ele. No jogo seguinte, Cesarini voltou a apostar na mesma equipa e o Rive venceu 4-0, com 3 golos de Pedernera. Afinal, o sucessor de Ferreyra estava mesmo em casa. Pouco tempo depois, Deambrosini, sensibilizado por ver um miúdo do plantel sempre triste por não jogar, resolveu dizer ao treinador, que então passara a ser Peucelle: Deixa o pibe fazer o jogo, ele está sempre triste, treina, treina e nunca joga, coloca-o no meu lugar, ok? Esse miúdo era Félix Loustau. Entrou como ala direito, fez um jogo fabuloso, levou todos á loucura e a partir desse dia... Deambrossi nunca mais jogou. Nessa memorável tarde, o ataque do River alinhara: Muñoz, Labruna, Moreno, Pedernera e Losteau. La Máquina acabara de nascer!

DI STEFANO, ESTRELA DE DOIS MUNDOS

RIVER PLATE4No final dos anos 40, o futebol argentino atravessou uma grave crise. Sentindo-se como verdadeira mercadoria nas mãos dos clubes, decidiram sindicalizar-se para exigir mais respeito e direitos contratuais. O grande líder do movimento foi Pedernera. Durante 5 meses fizeram greve e não houve futebol na Argentina. Vivia-se um período conturbado e muitos jogadores, os melhores, decidem emigrar. Foi o caso de Di Stefano, então a começar a impor-se na primeira equipa do Ríver, com apenas 16 anos. Muitos viam nele capacidades para continuar a saga da Máquina. A sua carreira começara, aos 12 anos, nas equipas jovens do modesto Los Cardenales, mas aos 15 anos, espantados com o seu fulgor, foi descoberto pelo River Plate. Um ano depois já estava na sua famosa equipa dos anos 40, “La Maquina”, jogando como médio direito, e não como avançado centro como ficou célebre. Como era muito novo foi emprestado ao Huracan para rodar, mas quando defrontou o River, entrou com tal raiva, que fez o golo da vitória logo aos...15 segundos! Não tardou em regressar e ao lado dos míticos Labruna e Pedernera foi campeão em 47, ameaçando construiu a nova máquina, onde começou a ser conhecido, tal era a sua velocidade, como La Sieta Rúbia! A crise e a greve de fútbol que então se seguiu ditaria, no entanto, em 1949, a sua saída do país. Antes, entre 45 e 49 fizera 49 golos pelo River. O destino foi, como o de muitos outros jogadores argentinos, a Colômbia, ingressando no Milionários de Bogotá, da Colômbia. Tratava-se, porém, de uma situação não reconhecida pela FIFA, que dizia estarem esses jogadores em situação irregular por terem rescindindo unilateralmente os seus anteriores contratos. Era o caso de Di Stefano. Nesse tempo, o Real Madrid comemorava o seu cinquentenário. Para tal, organizou um torneio internacional convidando o Milionários de Bogotá, dono de uma equipa fantástica, o Bailado Azul. Foi então que, frente ao Real e perante o público madrileno, os Milionários deram um festival de futebol. Nessa tarde, Di Stefano esteve endiabrado: fez dois golos e comandou toda a equipa. Um maestro com uma varinha mágica, cada vez que tocava na bola tudo à sua volta ficava suspenso, hipnotizado pela sua técnica, velocidade e visão de jogo. Nunca na Europa tinha sido visto algo igual. Don Santiago, deslumbrado, não hesitou. Esses músicos colombianos tinham-lhe estragado a festa, mas, naquela altura, já só tinha uma ideia: Quiero el rubio! Quiero que me fichen el rubio! O resto faz parte da lenda de Di Stefano no Real Madrid, ao ponto de hoje muitos o qualificarem o único futebolista herói de dois mundos. Acabaria, no entanto, por regressar ao River Plate, como treinador, em 1981, substituindo Labruna, sagrando-se, no banco, campeão argentino.

LABRUNA : O BELO FUTEBOL DE EL FEO

RIVER PLATE5Angel Labruna, El eterno Angelito, foi uma instituição do futebol do Mar del Plata. Foi do River toda a vida, começando por jogar Basquetebol. O Futebol, no entanto falaria mais alto. Depois de Carrizo, foi o homem que fez mais jogos pelo Ríver: 514, entre 39 e 59, marcando 292 golos, o maior goleador da história do clube, na frente de Óscar Mas, que jogou em duas épocas, 64-73 e 75-76, autor de 199 golos. Figura da Máquina dos anos 40, destacava-se por ser um avançado centro com uma cultura de jogo invulgar. Esquerdino nato, lia as jogadas desde o seu inicio, e depois aparecia para fazer o golo Cometeu a proeza de fazer esquecer Bernabé Ferreyra e embora nunca tivesse qualquer possibilidade de ganhar um concurso de beleza, a sua outra alcunha era de El Feo, desenhou das mais belas jogadas que o verde césped, como gostava de chamar ao relvado, jamais assistiu. Na selecção fez 37 jogos e marcou 17 golos. Finda a carreira como jogador, tornou-se um treinador de referência, sagrando-se, no banco, campeão argentino pelo River, em 1975, após 18 anos de frustrações, após tornar, o Rosário Central, campeão pela primeira vez na história. Morreu em 1983, com 65 anos, com problemas no coração. Gracias, viejo!

AMADEO CARRIZO: Defesas para a eternidade

RIVER PLATE6Renato Cesarini, um dos maiores treinadores da história do futebol argentino, costuma dizer que para saber se um guarda redes era bom ou mau, nem precisava de vê-los jogar. Bastava ver as suas fotos após sofrer um golo: Se estão sentados de culo, não servem. Se estão parados, de pé, são bons. Amadeo Carrizo, guarda redes do River entre 45 e 68, foi, claramente, um caso de vocação pura. Com 520 jogos é o homem que mais vezes vestiu a camisola do River. Personalizado como uma velha árvore, foi um precursor entre os postes, ao utilizar as mãos para lançar o contra ataque. Detinha os centros só com uma mão e antes de a bola cair no chão, já a estava a tocar, com o pé, para um companheiro melhor colocado. Por isso dizem que jogou mais do que defendeu, e iniciou uma dinastia de guarda redes que sabem jogar com os pés, na qual se seguiram Gat, Fillol, Baley e muitos outros. Outra forma de detectar um grande guarda redes é descobrir como seguem fazendo defesas mesmo muito depois de terem deixado de jogar. Conta Angel Cappa em La intimidad del fútbol, que em 1983, era costume, pelo fim da tarde, ir com Menotti até á praia, beber uma cerveja e, sobretudo, falar e futebol com muitos amigos que aí se reuniam. Entre eles, estava Carrizo. Uma dessas tardes, Carrizo virou-se para Menotti e perguntou-lhe: - Flaco, lembras-te daquele golo que me fizeste um dia em Rosário e que vocês ganharam? - Qual...? não me recordo –respondeu Menotti - Aquele, em que remataste muito forte que quase rompia as redes. - Ah, sim, sim –disse Menotti - Sabes porque o fizeste? –perguntou Carrizo e seguiu sem esperar resposta - porque me cheguei demasiado perto de ti. Aos tipos que chutam tão forte como tu, não há que se aproximar demais, pois assim fica-se sem tempo de levar as mãos á bola. Tinha que ter ficado atrás, para a pode agarrar ou desviar. Esse golo de que falava acontecera já há 20 ou 25 anos, mas ele continuava dando voltas á cabeça para descobrir a forma de o evitar. Era uma dívida que tinha para com o seu orgulho. Seja como for, quando o sofreu, quedou-se de pé, como os grandes!

PASSARELA E RAMON DIAZ

RIVER PLATE7Grande senhor do fútbol argentino, o Ríver Plate foi sempre a morada principal dos seus grandes caudillos, os líderes que gostam de mandar. Nos anos 70, surgiu, vindo de Sarmiento, um destemido jogador, majestoso patrão do sector defensivo, que ergueria, em 78, a Taça do Mundo: Daniel Passarela. No Ríver triunfou em duas eras, nos relvados e no banco. Como jogador, foi um líbero imperial. Era a exaltação da arrogância, como escreveu Valdano em Sueños de Fútbol, expressa na forma como conduzia a bola de cabeça erguida, altivo e com umas gotas de desprezo até pelo mundo. Com o público todo em contra, pedia a bola ao seu guarda-redes e passeava-se lentamente com ela, provocando um gigantesco coro de assobios, como um desafiante de cabelo curto que com esse gesto avisava 50.000 inimigos: aqui quem manda sou eu! Alinhou no Ríver em dois ciclos. Entre 74 e 81, ano em que saiu para a Fiorentina, e, no final da carreira, em 88-89, realizando, no total, 299 jogos e marcando 99 golos, algo invulgar para um defesa central. Passou grande parte da sua carreira, no River e na Fiorentina, junto a um vertiginoso ponta de lança que só tinha olhos para a baliza: Ramón Diaz, que desde os 9 anos, altura, em que, durante um treino de captação em 1968, os olheiros do clube ficaram boquiabertos com a velocidade e a veia goleadora daquele morochito a que de chamaram Peladito, por ser muito franzino. Jogou no River entre 78-81 e 91-93, marcando 85 golos em 177 jogos. Ambos donos de grande carácter, Passarela e Ramon Diaz regressaram ao River Plate nos anos 90, como treinadores. Profetas de um futebol agressivo, á imagem do que foram como jogadores, congeminaram fortes e atraentes equipas que fizeram a glória do clube no final do século.

FRANCESCOLI : El Príncipe do Uruguai

RIVER PLATE8Desde 94, quando regressou ao River Plate, Francescoli conquistou três campeonatos argentinos. Em 95, venceu a Copa América pelo Uruguai, sendo eleito o melhor jogador sul americano do ano, e, em 96 triunfou na Copa Libertadores e foi nomeado embaixador da Unicef. Apenas falhou a vitória na Taça Intercontinental. Quando em 1997, com 36 anos anunciou a sua retirada, continuava em grande forma, permanecendo com a mesma silhueta elegante: O River Plate é o clube do meu coração, o que me deu as maiores alegrias. Tenho uma relação priviligiada com os adeptos, mas praticamente não posso sair á rua. O futebol já me deu tudo. Uma Taça Intercontinental não mudava nada na minha carreira. Os 70 000 espectadores que encheram o Monumental de Buenos Aires terminaram o jogo a gritar : uruguaio! uruguaio!. É a consagração de Francescoli, o príncipe do drible, a viver um momento sublime como motor do River Plate. Mas ironia das ironias, Francescoli será talvez, por paradoxo, o jogador uruguaio que, nas últimas décadas, menos traduz o tradicional estilo uruguaio. O seu porte altivo, a elegância natural no transporte da bola, a técnica aristocrata, o fair-play, o enorme grau de profissionalismo e a boa relação com a imprensa, são a antítese do espirito agressivo, até violento, e conflituoso quem nos últimas décadas, tomou conta dos jogadores do Uruguai.
RIVER PLATE9Muñoz, Moreno, Pedernera, Labruna e Loustau