Roma: Quando Rudi Garcia “desiste de si próprio”

13 de Janeiro de 2016

É impossível perceber a queda de Rudi Garcia na Roma olhando só o rendimento da equipa. É verdade que o nível descera muito esta temporada (nos último jogos num 4x4x3 que lançou o ítalo-nigeriano Sadiq, 18 anos, 1,92m, a ponta-de-lança) mas olhando os últimos anos de futebol italiano, penso que (tirando o caso da Juventus) o projeto de jogo exibicional mais atraente esteve na Roma.
Aos poucos, porém, Garcia foi perdendo a empatia com o Calcio que marcou esse arranque, com um futebol criativo, desdobrando-se muito bem nas transições mantendo imaginação e rigor posicional. Esse primeira época, 13/14, tivera um 10 fantástico, Pjanic, um 6 que mandava em tudo, Strootmann, e até na frente Destro (um bom avançado que os grandes do Calcio aproveita mal e está hoje no Bolonha) fazia golos. Depois, claro, havia Totti.
A lesão de Strootman foi o maior rombo nos pilares dessa construção de jogo.

O pivot pensador-dinamizador de jogo nunca mais recuperou das sucessivas lesões. Com o tempo, o jogo da Roma foi “entristecendo-se”. Os princípios de largura com profundidade (aproveitando Gervinho ou até o redimensionado Iturbe) estavam lá, mas a equipa deixara de ter aquilo que chamo de “consistência criativa”. Tornou-se uma "equipa de picos”. Que tanto está num bom momento no jogo como, de repente, se desintegra e deixa-o abrir-se até perder o seu controlo defensivo.
O último desabafo de Garcia sobre o deficit físico da equipa levou o debate para fora o treino, relações com o grupo e todo o staff. Saiu deixando o seu projeto exibicional em depressão. O sucessor, Spaletti, não vai trazer nada de novo aos relvados italianos. Até poderá, nesta fase, devolver competitividade à equipa, mas a esperança que se tinha de ir ver um jogo da Roma esperando ver algo de diferente e empolgante isso já não voltará. A maior derrota de Garcia foi desistir de si próprio.