Saber esperar para ser inteligente

27 de Fevereiro de 2016

Em nenhuma equipa como as italianas se continua a sentir tanto a importância da dimensão física do jogo como factor fundamental para a competitividade da equipa nos 90 minutos. Esta ideia atravessou, nos seus diferentes momentos, todo o jogo da Juventus contra o Bayerm Munique da posse incansável de Guardiola.
É difícil um treinador definir verdadeiramente onde estabelecer a zona de pressão contra o Bayern, ou melhor, contra o estilo- Guardiola (pois o problema coloca-se na mesma quando se defronta o Barcelona).
Ou melhor, no fundo, esses treinadores até sabem que o ideal é tentar “mordê-los” o mais à frente possível e apanhá-los numa zona de construção-circulação o mais alta possível, pois se os deixam sair a jogar quando querem fazer essa pressão (ou encurtamentos agressivos em organização) já estão encurralados em bloco baixo. Mas, se este coloca a equipa numa posição mais difícil, o anterior é mais arriscado de fazer.
Por isso, o ideal é o que a Juventus de Alegri fez:
1. Baixar linhas na primeira parte e esperar mais atrás em organização.
2. Subir linhas na segunda parte e pressionar para recuperar mais alto na segunda.
Para isso, é fundamental a tal dimensão física do jogo e aguentar táctico-mentalmente a equipa nesse “jogo de momentos”. Esqueçam aqui o resultado (embora a Juve passar de 0-2 para 2-2 esteja relacionado) e apliquem só a ideia em tese.
Esta é a maior manifestação de inteligência táctica, mental e física que uma equipa pode mostrar em campo. Saber, frente ao adversário mais forte, jogar... diferentes jogos, mantendo a autodeterminação das suas diferentes expressões de força e escolher os momentos certos para as lançar no jogo. Foi o que fez a Juventus de Alegri, um treinador com “futebol de autor”. Um dos projeto táticos mais ricos e multidisciplinares do atual futebol europeu.